As altas temperaturas registradas em Manaus exigem cuidados redobrados com a saúde das crianças, principalmente pelo risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação. Segundo a pediatra e neonatologista Rossiclei Pinheiro, professora de Saúde da Criança da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), bebês e crianças são mais vulneráveis ao calor porque têm maior dificuldade para regular a temperatura corporal e nem sempre conseguem comunicar o que estão sentindo.
“As altas temperaturas e a umidade elevada aumentam o risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação. Bebês e crianças precisam de atenção especial, pois regulam a temperatura corporal com mais dificuldade e nem sempre conseguem pedir água ou explicar o que estão sentindo. Por isso, os pais precisam observar o comportamento da criança e oferecer líquidos regularmente, sem esperar que ela manifeste sede”, alerta Rossiclei Pinheiro.
Para crianças com mais de 6 meses, a especialista recomenda oferecer água várias vezes ao dia, mesmo quando elas não pedem. Já os bebês menores de 6 meses em aleitamento materno exclusivo não precisam receber água, e a orientação, nesses casos, é aumentar a frequência das mamadas.
Bebês que utilizam fórmula também não devem receber água adicional sem orientação profissional, e a fórmula não deve ser diluída além da quantidade recomendada.
A pediatra orienta que os pais optem por roupas leves, claras, folgadas e confortáveis, evitando cobrir excessivamente os bebês. A exposição direta ao sol e atividades físicas intensas devem ser evitadas, principalmente entre 10h e 16h, priorizando ambientes frescos, ventilados e com sombra.
“Em crianças com 6 meses ou mais, os pais devem utilizar protetor solar infantil e reaplicar conforme a orientação do produto. Nos menores de 6 meses, a proteção deve ser feita principalmente com sombra, roupas adequadas e barreiras físicas. Banhos frescos também podem ajudar no conforto, mas é importante evitar água muito gelada”, explica a especialista.
Leia mais
‘Situação deve se agravar’: Bombeiros alertam para aumento de incêndios em Manaus
Gripes e viroses aumentam no período de calor; veja os cuidados
Sinais de alerta
Durante os períodos de calor intenso, os responsáveis devem ficar atentos a sinais como boca e língua secas, sede excessiva, urina escura ou redução da quantidade de urina, poucas lágrimas ao chorar, irritabilidade, fraqueza e sonolência excessiva. Dor de cabeça, tontura, náuseas, vômitos, cãibras, pele muito quente e temperatura corporal elevada também podem indicar problemas relacionados ao calor.
“Se a criança apresentar confusão, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, recusa persistente de líquidos, ausência de urina por várias horas, sonolência intensa ou pele muito quente associada a alteração do comportamento, é necessário procurar atendimento médico imediatamente. Enquanto busca ajuda, leve a criança para um local fresco, retire o excesso de roupas e resfrie o corpo com panos úmidos e frescos. Não ofereça medicamentos por conta própria”, orienta Rossiclei.
Outro cuidado importante é com a alimentação. A recomendação é oferecer frutas e refeições leves, além de manter os alimentos adequadamente conservados, já que as altas temperaturas favorecem a deterioração.
A especialista também alerta para uma situação que pode representar risco grave: crianças deixadas sozinhas dentro de veículos, o que nunca deve ocorrer, nem mesmo por poucos minutos ou com as janelas abertas.
“No calor amazônico, hidratar, proteger e observar pode evitar complicações. A criança não deve esperar sentir sede para receber líquidos e cuidados. A prevenção é fundamental, principalmente nos dias de temperaturas mais elevadas”, reforça a pediatra.
