A tecnologia mudou a forma como a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) atua no combate ao crime organizado. A avaliação é do comandante-geral da corporação, coronel Klinger Paiva, que destacou a evolução dos equipamentos, do uso da inteligência e da estrutura operacional das equipes durante entrevista ao Onda News, nesta terça-feira (8).
Segundo o comandante, a modernização é um dos fatores que aumentaram a capacidade da PMAM para combater o tráfico de drogas, retirar armas de circulação e enfraquecer grupos criminosos. Somente em 2026, até o início de setembro, mais de 850 armas foram apreendidas pelas forças de segurança.
Klinger Paiva comparou a estrutura atual com a utilizada em operações realizadas anos atrás, quando integrava a Força-Tarefa da Secretaria de Segurança Pública. Naquele período, segundo ele, as equipes já realizavam grandes apreensões, mas trabalhavam com recursos mais limitados.
O comandante relembrou operações realizadas em áreas fluviais para interceptar embarcações usadas no tráfico de drogas. Segundo Klinger, os policiais utilizavam embarcações sem blindagem, coletes e armamentos disponíveis na época.
“Hoje as nossas equipes vão com lanchas blindadas, cabinadas, com armamento também mais potente para poder fazer frente ao que o crime hoje tem utilizado”, afirmou.
Saiba mais:
Manaus está tão quente que lojas, igrejas e shoppings podem ‘criar’ sombras
Concurso da Saúde no Tocantins oferece 5.124 vagas; veja distribuição por cidade
Inteligência como estratégia
Além da estrutura física, Klinger Paiva destacou o avanço do trabalho de inteligência e a preparação dos policiais. Na avaliação do comandante, a combinação desses recursos aumentou a capacidade de identificar e interceptar integrantes de organizações criminosas.
Ele também citou uma operação realizada no fim de 2014 que terminou com a apreensão de aproximadamente uma tonelada de entorpecentes. Naquele período, apreensões de 80, 200 ou 300 quilos já eram consideradas expressivas, segundo o comandante.
Para Klinger, o aumento das apreensões atualmente também representa uma estratégia para reduzir a circulação de drogas e armas e, consequentemente, enfraquecer as facções.
Reflexo nos homicídios
O comandante relacionou o trabalho de repressão ao tráfico e às organizações criminosas à queda dos índices de homicídios no Amazonas. Ele citou o município de Iranduba, que, segundo a discussão apresentada durante a entrevista, possui uma taxa de homicídios superior à registrada em Manaus.
Klinger ressaltou que Iranduba possui grande extensão territorial e funciona como corredor para o tráfego de drogas, inclusive por meio de embarcações. Para ele, o fortalecimento das apreensões e o enfraquecimento das facções podem produzir reflexos positivos nos indicadores de violência.
“A gente consegue diminuir também esses números”, afirmou o comandante ao destacar a relação entre a retirada de armas e drogas de circulação e a redução dos homicídios.
