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Dos “avisos” à era digital: o Amazonas no Dia Mundial do Rádio

Nesta sexta-feira, dia 13, dia considerado de azar para os supersticiosos, é também celebrado o Dia Mundial do Rádio, que no Amazonas tem uma trajetória que acompanhou transformações tecnológicas, mudanças culturais e a própria expansão urbana e social do Estado. Este dia foi criado em 2011, pela Agência da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) a pedido da Academia Espanhola de Rádio.

De acordo com o livro Radio no País das Amazonas, do jornalista e ex-professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luís Eugênio Nogueira, as primeiras experiências radiofônicas na região iniciaram ainda na primeira metade do século XX, no momento em que o rádio começava a se consolidar no Brasil como veículo de informação e entretenimento.

Em Manaus, as transmissões iniciais caracterizavam-se pelo improviso técnico e pelo alcance restrito, mas já evidenciavam o potencial de comunicação em uma região de acesso geográfico difícil.

“A ‘Voz de Manaós’ foi inaugurada na primeira quinzena de abril do ano de 1927. A emissora tinha como principal objetivo ‘transmitir para os municípios do interior dados e informações atualizadas das cotações e valorizações dos produtos naturais nas bolsas internacionais, a situação da moeda brasileira e o câmbio exterior’, além de informar as chegadas e partidas de embarcações no Porto de Manaus”, descreve Nogueira.

Na sequência, foram inauguradas a Voz da Baricéa (1938), a Rádio Baré (1939), a Difusora (1948), a Rio Mar (1954), até que veio a revolução causada pela Rádio Tropical, do empresário Antônio Malheiro, que em 1966 criou a primeira rádio que transmitia em frequência modulada do Brasil, hoje padrão radiofônico oficial do País.


Saiba mais:

Filiação ao PP deixa Tadeu de Souza livre para disputar o Governo do Estado em outubro

Líder do prefeito na CMM afirma que eventual eleição de Omar será um prejuízo para o Amazonas


Modelo de negócio e influência política

O rádio se consolidou como principal meio de comunicação do Amazonas nos anos 1940, com a criação da Rádio Difusora do Amazonas pelo radialista Josué Cláudio de Souza. A projeção obtida à frente da emissora o impulsionou para a política, onde foi prefeito de Manaus e deputado federal. Seus descendentes também seguiram o mesmo caminho e trilharam passos na política local. A emissora também contou com nomes marcantes, como o locutor Valdir Corrêa, o “Garotinho”.

O programa de maior destaque era a “Crônica do Dia”, que misturava comentários sobre notícias, astrologia e mensagens religiosas. A programação era jornalística, mas também difundia músicas, radionovelas e boletins de utilidade pública, tornando-se companhia diária da população e elo entre a capital e o interior.

Na década seguinte, outras emissoras, como a Rádio Baré, ampliaram o cenário radiofônico com conteúdos culturais e esportivos, fortalecendo a identidade regional.

No livro “Favor transmitir ao destinatário”, a professora aposentada da UFAM, Ierecê Barbosa, destaca o papel do rádio na integração entre Manaus e o interior, especialmente por meio dos “Avisos de Rádio”. Eram recados curtos que informavam familiares sobre chegadas, cirurgias ou datas de retorno, um serviço que, pela agilidade, só o rádio conseguia oferecer à época.

Pioneirismo na Frequência Modulada (FM)

A partir dos anos 1970 e 1980, a expansão da frequência modulada (FM) transformou o rádio no Amazonas, com melhor qualidade sonora, programação musical segmentada e linguagem mais ágil. O novo formato priorizou boletins curtos, dinamismo na locução e foco em públicos específicos.

No Brasil, a pioneira na FM foi a Rádio Tropical, do empresário Antônio Malheiro, que conheceu a tecnologia nos Estados Unidos e trouxe os primeiros equipamentos ao país. Segundo Luís Eugênio, Malheiro distribuiu receptores entre amigos e implantou um modelo voltado à música e à segmentação. A FM, embora com menor alcance que a AM, tornou-se padrão no país.

Nas décadas seguintes, o crescimento urbano de Manaus, impulsionado pela Zona Franca, refletiu-se na diversificação das rádios. Surgiram emissoras educativas, religiosas, comerciais e comunitárias. No interior, rádios locais ganharam relevância ao tratar de temas regionais, economia local, políticas públicas e questões ambientais.

Mas a internet chegou e inaugurou nova fase de adaptação, com transmissões em AM, FM e streaming, ampliando o alcance e a interação com o público. Mesmo diante de podcasts e plataformas digitais, o rádio mantém características históricas como imediatismo e proximidade.

Internet e rádio

Ao completar quase 100 anos no Amazonas, desde a criação das primeiras emissoras estruturadas no estado, o rádio segue presente na vida amazônica, atravessando gerações e acompanhando as transformações de uma região em constante mudança.

Ao longo dessa trajetória, consolidou-se a integração das rádios locais com redes do Sudeste, especialmente de São Paulo e Rio de Janeiro. Em diferentes períodos, o público de Manaus passou a acompanhar programações de emissoras como Transamérica, Nativa e Jovem Pan.

Rádio Antena 1 Manaus
Uma nova experiência de ouvir rádio é a integração da rádio Onda Digital com a Antena 1, emissora paulista com mais de 50 anos de existência

Mais recentemente, a Onda Digital firmou parceria com a Antena 1, rede paulista voltada ao público adulto contemporâneo, conhecida pela seleção musical internacional e por boletins informativos ágeis.

Em Manaus, a emissora já opera em parceria com a rede e integra o cenário radiofônico da capital. A expectativa, agora, é a programação jornalística local, que deve estrear em breve, ampliando o conteúdo oferecido aos ouvintes e reforçando a presença do rádio como meio dinâmico e em constante adaptação.

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Nesta sexta-feira, dia 13, dia considerado de azar para os supersticiosos, é também celebrado o Dia Mundial do Rádio, que no Amazonas tem uma trajetória que acompanhou transformações tecnológicas, mudanças culturais e a própria expansão urbana e social do Estado. Este dia foi criado em 2011, pela Agência da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) a pedido da Academia Espanhola de Rádio.

De acordo com o livro Radio no País das Amazonas, do jornalista e ex-professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luís Eugênio Nogueira, as primeiras experiências radiofônicas na região iniciaram ainda na primeira metade do século XX, no momento em que o rádio começava a se consolidar no Brasil como veículo de informação e entretenimento.

Em Manaus, as transmissões iniciais caracterizavam-se pelo improviso técnico e pelo alcance restrito, mas já evidenciavam o potencial de comunicação em uma região de acesso geográfico difícil.

“A ‘Voz de Manaós’ foi inaugurada na primeira quinzena de abril do ano de 1927. A emissora tinha como principal objetivo ‘transmitir para os municípios do interior dados e informações atualizadas das cotações e valorizações dos produtos naturais nas bolsas internacionais, a situação da moeda brasileira e o câmbio exterior’, além de informar as chegadas e partidas de embarcações no Porto de Manaus”, descreve Nogueira.

Na sequência, foram inauguradas a Voz da Baricéa (1938), a Rádio Baré (1939), a Difusora (1948), a Rio Mar (1954), até que veio a revolução causada pela Rádio Tropical, do empresário Antônio Malheiro, que em 1966 criou a primeira rádio que transmitia em frequência modulada do Brasil, hoje padrão radiofônico oficial do País.


Saiba mais:

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Líder do prefeito na CMM afirma que eventual eleição de Omar será um prejuízo para o Amazonas


Modelo de negócio e influência política

O rádio se consolidou como principal meio de comunicação do Amazonas nos anos 1940, com a criação da Rádio Difusora do Amazonas pelo radialista Josué Cláudio de Souza. A projeção obtida à frente da emissora o impulsionou para a política, onde foi prefeito de Manaus e deputado federal. Seus descendentes também seguiram o mesmo caminho e trilharam passos na política local. A emissora também contou com nomes marcantes, como o locutor Valdir Corrêa, o “Garotinho”.

O programa de maior destaque era a “Crônica do Dia”, que misturava comentários sobre notícias, astrologia e mensagens religiosas. A programação era jornalística, mas também difundia músicas, radionovelas e boletins de utilidade pública, tornando-se companhia diária da população e elo entre a capital e o interior.

Na década seguinte, outras emissoras, como a Rádio Baré, ampliaram o cenário radiofônico com conteúdos culturais e esportivos, fortalecendo a identidade regional.

No livro “Favor transmitir ao destinatário”, a professora aposentada da UFAM, Ierecê Barbosa, destaca o papel do rádio na integração entre Manaus e o interior, especialmente por meio dos “Avisos de Rádio”. Eram recados curtos que informavam familiares sobre chegadas, cirurgias ou datas de retorno, um serviço que, pela agilidade, só o rádio conseguia oferecer à época.

Pioneirismo na Frequência Modulada (FM)

A partir dos anos 1970 e 1980, a expansão da frequência modulada (FM) transformou o rádio no Amazonas, com melhor qualidade sonora, programação musical segmentada e linguagem mais ágil. O novo formato priorizou boletins curtos, dinamismo na locução e foco em públicos específicos.

No Brasil, a pioneira na FM foi a Rádio Tropical, do empresário Antônio Malheiro, que conheceu a tecnologia nos Estados Unidos e trouxe os primeiros equipamentos ao país. Segundo Luís Eugênio, Malheiro distribuiu receptores entre amigos e implantou um modelo voltado à música e à segmentação. A FM, embora com menor alcance que a AM, tornou-se padrão no país.

Nas décadas seguintes, o crescimento urbano de Manaus, impulsionado pela Zona Franca, refletiu-se na diversificação das rádios. Surgiram emissoras educativas, religiosas, comerciais e comunitárias. No interior, rádios locais ganharam relevância ao tratar de temas regionais, economia local, políticas públicas e questões ambientais.

Mas a internet chegou e inaugurou nova fase de adaptação, com transmissões em AM, FM e streaming, ampliando o alcance e a interação com o público. Mesmo diante de podcasts e plataformas digitais, o rádio mantém características históricas como imediatismo e proximidade.

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Ao completar quase 100 anos no Amazonas, desde a criação das primeiras emissoras estruturadas no estado, o rádio segue presente na vida amazônica, atravessando gerações e acompanhando as transformações de uma região em constante mudança.

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