Você sabia que cavalos podem ser agentes terapêuticos, ajudando crianças e adultos a lidar com variados transtornos? A Onda Digital visitou nesta segunda-feira (10/8) a sede da Cavalaria da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), no bairro Dom Pedro, em Manaus, para saber mais sobre a equoterapia.
Suelen Prianti, tenente da PMAM, explicou do que se trata o tratamento: “É um método terapêutico que a gente consegue utilizar o equino, o mesmo animal que faz o patrulhamento nas ruas. A gente usa ele como principal agente terapêutico. A gente consegue fazer a reabilitação, tanto de criança quanto de adulto, com alguma necessidade física ou psicológica ou cognitiva nesse sentido”.
Como funciona o acesso ao tratamento?
Para participar do programa de equoterapia, o interessado precisa primeiro passar por avaliação médica e obter um encaminhamento específico para esse tipo de tratamento. Após a apresentação da documentação, o paciente é incluído em uma lista de espera, que é dividida entre público militar e civil.
Também é necessário apresentar documentos e laudos relacionados à condição de saúde que motivou a indicação da terapia. Depois dessa etapa, o paciente passa por uma nova avaliação, desta vez realizada por uma equipe multidisciplinar, que reúne profissionais das áreas de saúde, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia.
A avaliação serve para verificar se a equoterapia é indicada para cada caso e definir a forma de acompanhamento. Conforme a necessidade do praticante, o tratamento pode durar de seis meses a dois anos.
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Origem e fundamentos da equoterapia
O uso do cavalo com finalidade terapêutica não é uma descoberta recente. Hipócrates, em seu “livro das dietas”, em 351 a.C., já aconselhava a equitação para regenerar a saúde.
O cavalo é utilizado nesta terapia porque sua marcha é muito semelhante à marcha humana, transmitindo ao praticante montado estímulos semelhantes aos que ele receberia se estivesse andando. A Equoterapia é, assim, um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com necessidades especiais.
Atendimento gratuito desde 1992
No Amazonas, o atendimento equoterápico foi implantado em 1992 de forma gratuita e assistencial, como acontece até os dias atuais, numa prática reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Atualmente, 58 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, são beneficiadas pela equoterapia e atendidas no Núcleo de Policiamento Montado da PMAM, por patologias como paralisia cerebral, autismo, hiperatividade, deficiência auditiva e síndromes de Down, de Asperger e de West, entre outras.
O Núcleo de Equoterapia tem hoje uma lista de espera de aproximadamente 300 pessoas para ingresso no programa social da Polícia Militar do Amazonas.
