Um estudo da consultoria GO Associados sobre segurança hídrica em Manaus mostra que a maior parte do município está classificada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) na “classe crítica” de risco para 2040. A projeção indica alta probabilidade de a oferta de água se tornar insuficiente no médio prazo, cenário que se soma à seca histórica registrada na Amazônia em 2024, quando o Rio Negro atingiu o menor nível em mais de 120 anos.
O trabalho avalia os desafios da segurança hídrica na região amazônica diante da mudança climática e propõe políticas de sustentabilidade voltadas ao poder público e ao setor produtivo.
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Poços irregulares
Manaus tem cobertura de abastecimento de 97%, com sistema misto que combina captação superficial no Rio Negro, responsável por 84% do volume, e captação subterrânea por meio de 50 poços, responsável pelos 16% restantes.
O estudo, no entanto, chama atenção para uma lacuna de controle sobre a água subterrânea da cidade. Segundo dados, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais do Brasil tinha o registro de cerca de 5 mil poços em operação em Manaus até 2022.
Estima-se, contudo, que o número real de poços em funcionamento supere 27 mil, resultado da falta de fiscalização do órgão competente e de uma cultura consolidada de uso de água subterrânea no município.
A obrigatoriedade de outorga para o uso da água só passou a valer no Amazonas em 2016, por meio de portaria do Ipaam, quase duas décadas depois de a exigência ter sido prevista na legislação federal.
As projeções da ANA para 2040 apontam aumento de 7% nas retiradas totais de água em Manaus, impulsionado principalmente pelo crescimento de 43% na demanda do setor industrial e de 23% no abastecimento humano. O estudo descreve esse cenário como um binômio de risco, já que o consumo elevado de água subterrânea se soma a previsões de secas mais intensas.
