A ministra do Clima e Meio Ambiente, Marina Silva, cumpre agenda em Manaus nesta quinta-feira (26/3) para lançar o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), iniciativa que vai remunerar comunidades ribeirinhas pelo manejo sustentável da espécie na Amazônia.
O evento acontece no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e marca um novo passo na política ambiental do governo federal, com foco na valorização de quem preserva a floresta.
O programa deve beneficiar cerca de 5 mil pessoas em mais de 40 organizações comunitárias, que atuam em 41 áreas protegidas, abrangendo mais de 20 milhões de hectares. Ao todo, serão investidos aproximadamente R$ 15 milhões ao longo de dois anos, com apoio internacional.
Durante a agenda, a ministra também assina uma portaria que permite a certificação orgânica do pirarucu manejado em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, medida que pode ampliar mercados e aumentar em até 30% o valor pago pelo produto.
A passagem de Marina Silva por Manaus reforça a estratégia do governo de unir preservação ambiental e geração de renda, colocando comunidades tradicionais no centro das políticas públicas para a Amazônia.
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Classificação
Recentemente, o Ibama passou a classificar o pirarucu como espécie invasora fora da Amazônia, liberando sua pesca sem restrições nessas regiões para conter impactos ambientais.
No entanto, no Amazonas, onde o peixe é nativo, a situação é diferente: o pirarucu segue como exemplo de conservação bem-sucedida, com manejo sustentável realizado por comunidades ribeirinhas e monitorado por órgãos ambientais.
Esse modelo controla a pesca por meio de cotas e acompanhamento dos estoques, garantindo a preservação da espécie, combate à pesca ilegal e geração de renda local.
A nova norma, portanto, reforça dois cenários: controle rigoroso fora da Amazônia para evitar desequilíbrios ecológicos e proteção com uso sustentável dentro do bioma amazônico, onde o pirarucu continua sendo um dos principais símbolos da bioeconomia regional.