Recentemente, a queda de um raio deixou dezenas de feridos durante manifestação política em Brasília. O incidente trouxe de volta a discussão sobre esse fenômeno e sobre as diferentes formas de se proteger dele.
O Brasil, na verdade, é um dos campeões mundiais em mortes por queda de raios. Dados do ELAT (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que 84 pessoas morreram dessa forma no ano de 2024 no país.
Todos os anos, uma média de 77 milhões de descargas elétricas caem sobre o território brasileiro. Estima-se que um único raio possa ter uma descarga equivalente a 30 mil ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico.
Além de vítimas fatais, os raios provocam prejuízos econômicos, como mortes de rebanhos bovinos e danos superiores a milhões de reais todos os anos. Estudos apontam que cerca de 70% dos desligamentos não programados no sistema de fornecimento de energia elétrica no Brasil decorrem da incidência de raios nas linhas de transmissão.
E de acordo com os pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em um cenário de mudanças climáticas com aumento da temperatura do ar e do calor, as tempestades com descargas atmosféricas devem ficar cada vez mais intensas e frequentes.
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Raios na região amazônica
A ocorrência de raios é mais frequente em áreas tropicais. Na Amazônia, a elevada umidade do ar potencializa ainda mais a formação desse fenômeno.
Os raios estão associados à formação de nuvens do tipo cumulonimbus, que apresentam grande desenvolvimento vertical e bases geralmente escuras e espessas. Essas nuvens são comuns em tempestades intensas, acompanhadas de fortes chuvas e ventos. A descarga elétrica ocorre devido à atração entre cargas opostas, podendo acontecer tanto entre nuvens quanto entre nuvens e o solo.
Por serem os dois estados de maior extensão territorial do país, Amazonas e Pará concentram o maior número de raios e, consequentemente, de acidentes fatais. Em 2025, pelo menos quatro ocorrências resultaram em mortos ou feridos em municípios do Amazonas, principalmente na zona rural.
No entanto, episódios também podem ocorrer dentro das casas, em situações que envolvem, por exemplo, uso de telefone e de aparelhos conectados à tomada ou proximidade de portas e janelas. Por isso, todo cuidado é pouco, ainda mais durante este período de fortes chuvas na região.
Orientações para se proteger
A Onda Digital conversou com Charlis Barroso, chefe do Cemoa (Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil), que passou orientações sobre o que fazer em caso de raios.

“Durante tempestades com incidência de raios, a Defesa Civil orienta a população a evitar áreas abertas, como campos, praias, rios e lagos, não se abrigar sob árvores isoladas e suspender atividades ao ar livre. Em casa, a recomendação é evitar o uso de aparelhos ligados à tomada, não utilizar telefone com fio, manter distância de portas, janelas e estruturas metálicas e não tomar banho durante a chuva, devido ao risco de condução elétrica pela tubulação. Ao ouvir trovões, é fundamental procurar abrigo seguro imediatamente, pois os raios podem atingir locais distantes da chuva”.
Siga as orientações e proteja-se.
*Com informações de Agência Brasil e INPE