Com a intensificação do período chuvoso, cresce também a preocupação com doenças respiratórias, especialmente a asma. A combinação de umidade elevada, proliferação de fungos e variações de temperatura cria o cenário ideal para o aumento das crises, o que pode afetar a saúde, principalmente de crianças e idosos.
Especialistas alertam que, durante esse período, o ambiente doméstico pode se tornar um dos principais vilões. O mofo, comum em casas com pouca ventilação, e os ácaros, que se proliferam em locais úmidos, são gatilhos frequentes para quem convive com a doença.
Além disso, infecções respiratórias virais, mais comuns em épocas chuvosas, também podem agravar o quadro clínico. Por isso, manter o controle da asma é fundamental para evitar complicações.
Período chuvoso amazônico
Com o aumento das chuvas na região, a rede Onda Digital entrevistou o médico pneumologista Gilson Martins, que traz um alerta importante para pessoas com asma. Fatores como mudanças de temperatura, maior umidade do ar, presença de mofo e circulação de vírus respiratórios contribuem para o aumento das crises.
Segundo Martins, a combinação desses elementos favorece o agravamento dos sintomas. “Nesse período, há mais umidade e mofo dentro das casas, além de maior circulação de vírus, o que pode desencadear crises de asma”, explica.
Outro ponto de atenção é o uso correto da medicação. “Muitos pacientes deixam de usar os remédios de manutenção ou utilizam de forma inadequada os medicamentos de resgate, o que aumenta o risco de piora do quadro”, alerta o especialista.
Entre os cuidados recomendados estão a eliminação de mofo e umidade em paredes e móveis, a troca frequente de roupas de cama e a atenção com itens que acumulam poeira, como cortinas e carpetes. “Também é importante observar a presença de animais de estimação, já que algumas pessoas têm alergia a pelos, e manter a vacinação em dia para prevenir gripes e resfriados”, orienta Gilson Martins.
Crises
A crise de asma é caracterizada por sintomas como tosse, chiado no peito, falta de ar e despertares noturnos. A intensidade pode variar de leve a grave. “Sinais como dificuldade para falar frases completas e aumento do uso do medicamento de alívio indicam agravamento e necessidade de atendimento de urgência”, destaca.
Por ser uma doença crônica, a asma exige acompanhamento contínuo. “O tratamento é individualizado e ajustado conforme o controle dos sintomas ao longo do tempo”, explica o pneumologista.
Em casos mais graves, a crise pode ser fatal. “O paciente pode precisar de internação em UTI, com uso de medicamentos intravenosos e suporte ventilatório. Por isso, o controle adequado é fundamental para evitar complicações”, conclui o médico.
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Cuidados
Entre as principais recomendações estão manter os ambientes bem ventilados, evitar o acúmulo de poeira, higienizar roupas de cama com frequência e reduzir a exposição a locais fechados e úmidos. O uso correto da medicação prescrita também é essencial, mesmo fora das crises.
Outro ponto importante é a atenção aos sinais de alerta, como falta de ar, chiado no peito e tosse persistente. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento médico o quanto antes.
Em regiões como a Amazônia, onde o volume de chuvas é intenso por vários meses, a prevenção se torna ainda mais necessária. Cuidar da saúde respiratória nesse período é não apenas uma questão de bem-estar, mas de qualidade de vida.
Combate
A asma afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo e cerca de 20 milhões no Brasil, sendo uma das principais causas de internação no Sistema Único de Saúde, especialmente nos meses chuvosos. Diante desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas reforça ações de prevenção, aproveitando o Dia Mundial de Combate à Asma, celebrado em maio.
Especialistas alertam que a doença pode atingir pessoas de qualquer idade. O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames, enquanto o tratamento envolve medicamentos para controle contínuo e alívio das crises, com destaque para os corticosteroides inalatórios.
A orientação principal é evitar fatores que desencadeiam crises, como mofo, poeira, fumaça de cigarro e sedentarismo. Além disso, pacientes devem manter acompanhamento médico regular e seguir corretamente as orientações de autocuidado.
O SUS garante tratamento gratuito desde 2011, incluindo acesso a medicamentos. Em casos de crise, a recomendação é procurar atendimento imediato em unidades de urgência, tanto para adultos quanto para crianças.