O relator do caso no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, votou nesta sexta-feira (25/9) contra a abertura de investigação sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por causa da relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A análise ainda será submetida aos demais integrantes do Conselho.
O caso chegou ao Conselho após a Polícia Federal encontrar, no celular de Vorcaro, mensagens que mencionam Gonet. Entre os registros estão conversas em que o procurador-geral afirma estar com “saudades” do banqueiro e o chama de “máquina”. Também foi localizada uma fotografia de 2024 em que os dois aparecem juntos em Londres, fumando charutos e consumindo uísque.
O Conselho analisa se os contatos e as mensagens apresentam elementos suficientes para justificar uma investigação sobre a conduta de Gonet ou se podem comprometer sua atuação nos procedimentos relacionados ao caso Banco Master. O procedimento foi aberto após representações que questionaram a permanência do procurador-geral na condução do caso.
Relator não vê elementos para investigar Gonet
Em seu voto, Sanseverino afirmou não identificar elementos mínimos que indiquem crime ou participação de Gonet em irregularidades. Para ele, as mensagens e os contatos revelados pela PF não são suficientes, por si só, para caracterizar uma relação íntima entre o procurador-geral e Vorcaro.
“Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e descontextualizada para não criar uma situação artificial que não corresponda à realidade dos fatos”, disse Sanseverino.
Sanseverino também destacou que Gonet não trocou mensagens diretamente com o ex-banqueiro. Segundo o relator, os contatos ocorreram por intermédio do advogado Ciro Soares, o que, na avaliação apresentada no voto, enfraquece a tese de uma amizade íntima entre os dois.
O subprocurador também afirmou que Gonet tratou com o rigor exigido pelo cargo as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro. As negociações com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal não avançaram porque as informações apresentadas foram consideradas insuficientes.
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Ao encerrar seu voto, avaliou que a atuação do PGR e de seu gabinete seguiu os princípios da legalidade, da utilidade e eficiência da persecução penal e respeitou o princípio da independência funcional.
