A promotora de Justiça Fabi Diniz de Queiroz Pilate, primeira mulher trans a ocupar o cargo no Brasil, afirmou que sua posse no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), realizada nesta sexta-feira (31/7), em Manaus, ultrapassa sua trajetória pessoal. Segundo ela, o momento representa uma conquista coletiva de pessoas que ainda enfrentam dificuldades para acessar direitos fundamentais.
“Essa posse transcende a minha trajetória pessoal. Trata-se de uma conquista histórica e coletiva de um grupo de cidadãos que ainda são alijados de direitos básicos de cidadania”, declarou.
Para Fabi, seu ingresso no Ministério Público mostra à sociedade brasileira que pessoas trans também podem ocupar espaços de poder.
Natural de Paranaíba, no interior de Mato Grosso do Sul, Fabi construiu uma trajetória profissional ligada ao Direito, ao serviço público e à educação. Ela atuou como advogada e servidora do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, concluiu mestrado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi aprovada no doutorado e lecionou nas universidades Estadual e Federal do estado.
A nova promotora considera que sua experiência técnica e acadêmica poderá contribuir para o trabalho desenvolvido no MPAM. Ela chegou ao Amazonas na semana da posse, mas já havia estado em Manaus durante as seis etapas do concurso público e em provas promovidas por outra instituição.
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Atuação começará no município de Jutaí
Fabi iniciará a carreira ministerial na comarca de Jutaí, no interior do Amazonas. Embora ainda não tenha visitado o município, ela contou que realizou pesquisas sobre a região e consultou o projeto “Conheça seu Município”, desenvolvido pela Corregedoria-Geral do MPAM, para começar a elaborar seu plano de atuação.
Ao comentar os desafios que encontrará no novo cargo, a promotora ressaltou que pessoas trans ainda enfrentam preconceitos e questionamentos relacionados até mesmo ao exercício de direitos básicos. Para ela, uma das principais tarefas será contribuir para a superação de estigmas e ampliar o diálogo com a sociedade.
“O desafio será fazer a sociedade entender que nós somos pessoas como quaisquer outras, quebrar estigmas e paradigmas, mas sempre abrindo diálogo para quem quiser entender e compreender”, afirmou.
Fabi acrescentou que pretende conduzir esse processo com equilíbrio e disposição para dialogar.
