Produtores rurais do Amazonas estão entre os que devem redobrar os cuidados diante dos efeitos previstos do El Niño 2026/2027 na Região Norte. Uma nota técnica elaborada pela Plataforma Regional Norte da Embrapa reúne medidas para reduzir os impactos da estiagem, do calor intenso e da redução dos níveis dos rios sobre a produção rural.
O documento aponta que a Amazônia Ocidental, incluindo o Amazonas, concentra alguns dos déficits hídricos mais intensos previstos para a região. O cenário traz preocupação principalmente para agricultores familiares, produtores de cultivos de sequeiro, criadores de animais e comunidades que dependem dos rios.
Cuidados com a água
Entre as recomendações está o armazenamento e o uso mais eficiente da água. A Embrapa orienta produtores a proteger nascentes, olhos d’água e margens de igarapés, além de manter e recuperar estruturas como cisternas, açudes e pequenas barragens.
Quando houver irrigação, a recomendação é priorizar sistemas mais econômicos, como gotejamento e microaspersão, e concentrar a rega durante a noite ou nas primeiras horas da manhã, quando a evaporação é menor.
Atenção ao plantio
Para as lavouras, a principal orientação é respeitar as janelas de plantio indicadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
A recomendação também inclui a escolha de variedades adaptadas ao estresse hídrico e de ciclo mais precoce, além da manutenção de cobertura vegetal sobre o solo para conservar a umidade.
No caso de culturas como mandioca, milho e feijão-caupi, a nota recomenda atenção especial ao período de plantio e às fases de desenvolvimento mais sensíveis à falta de água.
E os animais?
Os produtores também devem se preparar para a redução da oferta de pastagem. Entre as medidas estão o planejamento da alimentação do rebanho, a produção de feno e silagem e o ajuste da quantidade de animais à capacidade das áreas disponíveis.
A Embrapa recomenda ainda garantir água limpa, fresca e protegida do sol, além de ampliar áreas de sombra para reduzir o estresse térmico dos animais.
Atenção às queimadas
Outro alerta envolve o risco de incêndios. Com a vegetação mais seca, a orientação é evitar o uso do fogo para limpeza de áreas e adotar alternativas como corte e trituração da biomassa.
A nota também recomenda a abertura de aceiros preventivos no entorno de áreas produtivas e sistemas agroflorestais.
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Municípios enfrentam alerta hidrológico
A nota técnica cita Humaitá, São Paulo de Olivença e Benjamin Constant, que já haviam decretado situação de emergência diante das condições hidrológicas. Outros 16 municípios do Amazonas estavam em estado de alerta hidrológico no momento da elaboração do documento.
O cenário é agravado pela previsão de chuvas abaixo da média até março de 2027, segundo projeção do Serviço Geológico do Brasil (SGB) mencionada pela Embrapa.
