A partir da próxima segunda-feira, dia 10, dez escolas públicas do Amazonas vão receber biodigestores capazes de transformar sobras de comida dos alunos em gás de cozinha e biofertilizante. O projeto, batizado de Escolas do Futuro, Guardiões da Amazônia, começa pela Escola Estadual Cid Cabral, no bairro Cidade Nova, na zona norte de Manaus, e depois segue para outras nove unidades, em Manaus e no interior do estado.
A iniciativa está associada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, criados pela Organização das Nações Unidas na Agenda 2030 para orientar melhorias em indicadores sociais, econômicos e ambientais ao redor do mundo. Na prática, o projeto ativa a meta de energia limpa e acessível ao instalar biodigestores nas escolas.
O projeto é conduzido pela Amazônia B, empresa de negócios sustentáveis, em parceria com a Eneva e o Instituto Ecoleta. A informação foi apresentada por Belmon Viga, diretor da Amazônia B, em entrevista ao programa Primeira Onda.
Como funciona o biodigestor

Segundo Viga, o equipamento escolhido para as escolas tem capacidade para processar até 10 quilos de resíduo orgânico por dia, o que evita o envio de cerca de duas toneladas de lixo ao aterro sanitário ao longo de um ano.
O processo funciona como uma compostagem, mas com retenção do gás gerado. Ao decompor o resíduo orgânico, o biodigestor produz metano, que normalmente seria liberado na atmosfera.
“O resíduo orgânico libera o chorume, libera o gás metano que vai para a atmosfera, e isso acelera a questão das mudanças climáticas”, explicou o diretor da Amazônia B, enfatizando que isso vai ser retido pelo equipamento e virar energia limpa e renovável.
A decomposição também gera biofertilizante, que pode ser usado em hortas escolares. Segundo Viga, a expectativa é que cada escola consiga economizar até dois botijões de gás por mês com o reaproveitamento do biogás.
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Por que a escolha dessas dez escolas

Viga contou que a ideia surgiu a partir de referências internacionais, como o uso de biodigestores em praças públicas na Holanda. Ele chegou a considerar a instalação de equipamentos em espaços públicos no Amazonas, mas descartou a hipótese por avaliar o risco de depredação. “Aqui na nossa região, muito provavelmente, iam roubar e vandalizar”, afirmou.
Por isso, o projeto optou por escolas com pelo menos 700 alunos, número considerado necessário para gerar volume suficiente de resíduo orgânico para o biodigestor. Para Viga, o alcance vai além dos muros da escola: “A gente está multiplicando essa informação por 700 pessoas, mais educadores, mil pessoas, que essas mil pessoas levam para casa e falam da importância de olhar esse resíduo orgânico”.
A primeira edição do projeto é fruto de parceria com a Eneva e abrange dez escolas. Quatro delas ficam em Manaus, incluindo a Cid Cabral, e as demais estão nos municípios de Silves, Itapiranga e Rio Preto da Eva. Além da instalação dos equipamentos, o projeto prevê oficinas e workshops sobre logística reversa, bioeconomia e ODS para os estudantes.
A Amazônia B atua com projetos de impacto social nas áreas de sustentabilidade, saúde e bem-estar e empreendedorismo na Amazônia. Segundo Viga, a proposta da empresa é ampliar a participação do setor privado em ações de responsabilidade socioambiental na região, sem retirar a responsabilidade do poder público.

