O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), fez um apelo público por socorro diante da fumaça das queimadas que cobre a capital. Em vídeo intitulado “Manaus pede socorro”, ele pediu ajuda “a todas as autoridades estaduais, nacionais e até internacionais”. A manhã deste sábado (17) teve a qualidade do ar classificada como péssima, com concentrações de material particulado que, em alguns pontos, superaram 500 µg/m³.
“Manaus está sendo sufocada e o mais revoltante é que a nossa cidade não está promovendo as queimadas, mas está pagando um preço altíssimo por elas e isso é inaceitável”, disse o prefeito no vídeo.
Segundo ele, as chamas vêm de outros municípios e até de outros estados: “Manaus não está em chamas.”
O chefe do Executivo municipal afirmou que a prefeitura faz “a sua parte” dentro das competências do município. De acordo com ele, neste ano já foram plantadas mais de 40 mil árvores, praças e árvores estão sendo irrigadas durante a noite e as ações de conscientização foram intensificadas nas áreas urbana e rural.
Ele orientou crianças, idosos e gestantes a beberem água, se protegerem e evitarem a exposição à fumaça, e disse que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão de portas abertas para atender ocorrências.
Encerrou com um recado direto: “Não podemos continuar pagando com a saúde da nossa população com queimadas que não provocamos. Chega! Precisamos de providências, precisamos de ajuda.”
No vídeo, Renato Junior não cita nominalmente o presidente Lula, o governo federal ou o governo do Amazonas. Em 23 de setembro, ele já havia dito que Manaus “está pagando a conta” por falta de política pública nacional, dos outros estados e do estado do Amazonas.
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Neste sábado, os números variam conforme a fonte, o horário e o ponto de medição, mas todos apontam para níveis muito acima do recomendado.
Pelos sensores da prefeitura, a Zona Norte teve a maior concentração, 450 µg/m³, seguida por Centro-Sul (416), Sul (396), Leste (391) e Centro-Oeste (331 µg/m³). Nas primeiras horas da manhã, segundo o IQAir, Manaus tinha o pior ar entre as capitais brasileiras; Porto Velho vinha em segundo, com índice de 65. A Organização Mundial da Saúde recomenda média anual de 5 µg/m³ de PM2,5.
Medidas e orientações
A prefeitura suspendeu até domingo (18) as atividades ao ar livre promovidas pelo município. Na sexta-feira (16), as aulas presenciais da rede municipal e da UEA já haviam sido suspensas por causa da fumaça. A Defesa Civil recomenda hidratação, evitar exercícios ao ar livre, usar máscara PFF2 em caso de exposição e procurar atendimento em caso de falta de ar ou piora de sintomas respiratórios.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias formam o grupo mais vulnerável.
O PM2,5, partícula fina presente na fumaça, penetra profundamente nos pulmões e pode causar tosse, irritação nos olhos e nas vias respiratórias, falta de ar e agravar doenças preexistentes.
Cobrança política
O apelo ocorre em meio à cobrança do deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) por intervenção federal ou GLO no estado, a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro.
Em 10 de outubro, o governo federal anunciou o envio de 290 brigadistas e seis aeronaves ao Amazonas e informou que o Ibama já havia extinguido 229 incêndios no estado. Segundo o governo federal, desde 2024 foram disponibilizados R$ 45 milhões ao Amazonas pelo projeto ProAmazon, voltado aos bombeiros; R$ 34,7 milhões já foram liberados.
