O Amazonas comemorou 176 anos de autonomia política, no último sábado (5), conquistada em 1850, quando a então Comarca do Alto Amazonas deixou de integrar a Província do Grão-Pará e foi elevada à condição de Província do Amazonas. Mais de um século e meio depois, a data também ajuda a provocar uma pergunta: afinal, qual é a identidade do Amazonas? E mais: como lembramos de cada um dos 62 municípios que integram esse “mundo” que forma o maior Estado da Federação?
A resposta não é simpes e óbviia, pois são 62 municípios, alguns muito parecidos e outros totalmente opostos, seja na cultura, na economia ou na própria formação histórica. Dos 62 municípios, apenas dois não nasceram em margens de rios ou lagos. Voce sabe quais são?
Enfim, se Manaus pode ser traduzida por Zona Franca ou Encontro das Águas, cada cidade do interior também guarda uma palavra, um produto, uma paisagem ou uma tradição capaz de contar a parte dele na história do Estado. Você consegue associar uma palavra ou uma expressão a cada um dos municípios?
Existem respostas óbvias, como: Parintins é boi bumbá. Maués é guaraná. Coari é petróleo. Presidente Figueiredo é cachoeira. Novo Airão é Anavilhanas. Tefé é Mamirauá. São Gabriel da Cachoeira é diversidade indígena. Tabatinga é fronteira. Uarini é farinha. Manaquiri é melancia. Iranduba é cerâmica.
Mas você associaria Pauini ao Santo Daime? Pois essa é uma identidade forte, uma vez que a comunidade original desta expressão de religiosidade é o Céu do Mapiá, que fica na Floresta Nacional do Purus, no território de Pauini. Céu do Mapiá está para o Santo Daime como o Vaticano está para os católicos.
No geral, essas associações ajudam a desenhar um Amazonas que não cabe em uma única definição. Há municípios cuja identidade nasceu da floresta e dos rios. Outros foram moldados pela agricultura, pela pesca, pelo extrativismo ou pela indústria. Há cidades reconhecidas por festas populares, pela presença indígena, pela produção de alimentos ou pela posição estratégica nas fronteiras.
O desafio é encontrar, para cada um dos 62 municípios, uma marca que vá além da localização geográfica ou da repetição do próprio nome. Juruá, por exemplo, não pode ser apenas o rio que lhe dá nome. A construção de uma identidade exige procurar aquilo que diferencia a cidade: sua história, sua gente, sua produção e aquilo que os próprios moradores reconhecem como símbolo.
O 5 de Setembro ganha, assim, um novo sentido. A autonomia conquistada em 1850 separou administrativamente o Amazonas do Grão-Pará. A identidade construída desde então, porém, continua sendo formada todos os dias, em cada município e em cada comunidade do maior Estado brasileiro.
Mais do que 62 pontos no mapa, o Amazonas pode ser contado por 62 histórias. E talvez seja justamente nessa diversidade que esteja sua principal identidade: um Estado que tem uma capital industrial, cidades do boi e do guaraná, do gás e da farinha, das cachoeiras e dos botos, da floresta, dos povos indígenas e das fronteiras.
Ah! e os dois únicos municípios do Estado que não nasceram em beira de rios são Presidente Figueiredo, na Região Metropolitana de Manaus, e Apuí, na região do rio Madeira. Ambas nasceram em beira de estradas federais, Figueiredo nas margens da BR-174 (Manaus-Boa Vista) e Apuí no fim da BR-230, a Transamazônica.
A lista abaixo de palavras associadas aos nossos municípios foi uma provocação nossa ao ChatGpt. Você concorda?
Alvarães: Pirarucu
Amaturá: Fronteira
Anamã: Lago do Anamã
Anori: Petróleo
Apuí: Agronegócio
Atalaia do Norte: Javari (Terra Indígena)
Autazes: Leite
Barcelos: Peixe ornamental
Barreirinha: Andirá (rio)
Benjamin Constant: Moça Nova (ritual ticuna)
Beruri: Castanha
Boa Vista do Ramos: Mel
Boca do Acre: Pecuária
Borba: Santo Antonio
Caapiranga: Pirarucu
Canutama: Purus (rio)
Carauari: Petróleo e gás
Careiro Castanho: BR-319
Careiro da Várzea: Pesca artesanal
Coari: Petróleo e Gás
Codajás: Açaí
Eirunepé: Políticos (Lá nasceram uma série de políticos que comandaram o Estado, como o ex-governador Amazonino Mendes, o senador Plínio Valério, o deputado federal Pauderney Avelino, o ex-reitor da Ufam Marcos Barros)
Envira: Formigas
Fonte Boa: Pesca de tambaqui
Guajará: Divisa
Humaitá: BR-319
Ipixuna: Floresta
Iranduba: Cerâmica
Itacoatiara: Pedra Pintada
Itamarati: Açaí
Itapiranga: Uatumã (rio)
Japurá: Mosaico (unidades de conservação)
Juruá: Açaí
Jutaí: Seringueira
Lábrea: Borracha
Manacapuru: Ciranda
Manaquiri: Melancia
Manaus: Zona Franca
Manicoré: bacural
Maraã: bacalhau da amazonia
Maués: Guaraná
Nhamundá: Espelho da Lua (lago das Amazonas)
Nova Olinda do Norte: Abacaxi
Novo Airão: Anavilhanas
Novo Aripuanã: Castanha
Parintins: Boi bumbá
Pauini: Céu do Mapiá (comunidade original do Santo Daime)
Presidente Figueiredo: Cachoeiras
Rio Preto da Eva: Laranja
Santa Isabel do Rio Negro: Pico da Neblina
Santo Antônio do Içá: Açaí
São Gabriel da Cachoeira: Povos indígenas
São Paulo de Olivença: História
São Sebastião do Uatumã: Guaraná
Silves: Gás natural
Tabatinga: Tríplice Fronteira
Tapauá: Purus (rio)
Tefé: Mamirauá (RDS)
Tonantins: Boto
Uarini: Farinha
Urucará: Guaraná
Urucurituba: Banana
