A greve dos trabalhadores do transporte coletivo de Manaus, prevista para a manhã desta quinta-feira (20), foi suspensa após um acordo entre o Sindicato dos Rodoviários, as empresas e a Prefeitura de Manaus. A informação foi confirmada pelo presidente do sindicato, Givancir Oliveira, em entrevista ao vivo ao programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital.
Segundo Givancir, os empresários se comprometeram a pagar os trabalhadores entre esta quinta-feira (20) e sexta-feira (21). Com isso, a categoria decidiu suspender a paralisação.
“Se vão pagar o trabalhador, não tem mais por que se falar em greve nesse momento. Essa é a primeira situação, a situação do coletivo”, afirmou.
Transporte especial segue paralisado
Apesar da suspensão da greve do transporte coletivo, a paralisação dos trabalhadores do transporte especial continua em Manaus. O serviço atende trabalhadores que realizam, entre outras atividades, o transporte de funcionários para o Distrito Industrial.
De acordo com Givancir, o sindicato tentou abrir uma mesa de negociação com os empresários para discutir a convenção coletiva e os benefícios reivindicados pela categoria.
“Eu acabei de ligar para o presidente do Cifratran, chamando ele para a mesa de negociação para discutir o dissídio coletivo da categoria e os benefícios”, disse.
Até o momento da entrevista, segundo o sindicalista, nenhuma proposta havia sido apresentada pelos empresários. “Não tem proposta nenhuma até agora. Nenhuma. E eu estou aqui aguardando”, afirmou Givancir.
A paralisação foi registrada em diferentes pontos de Manaus, entre eles a Ponte Rio Negro e as avenidas Coronel Cirilo Neves, Torquato Tapajós e Pedro Teixeira, além da Bola da Samsung. O ato segue sem previsão de encerramento enquanto o sindicato aguarda uma negociação com os empresários.
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Reivindicações da categoria
Entre as principais reivindicações estão a redução da jornada de trabalho para 44 horas semanais, melhorias na alimentação e o pagamento de benefícios. O sindicato também contesta jornadas que, segundo Givancir, podem ultrapassar 50 ou 60 horas por semana.
A categoria reivindica ainda um benefício para alimentação de, no mínimo, R$ 22.
“A categoria reivindica 44 horas semanais consecutivas, um tipo de refeição de até R$ 22, no mínimo, para que dê para ele merendar e almoçar, fora a janta também”, afirmou o sindicalista.
Segundo Oliveira, alguns trabalhadores enfrentam jornadas que começam durante a madrugada e terminam somente à noite.
“A gente recebeu relatos de trabalhador que começa a trabalhar quatro da manhã, termina meia-noite, e isso de forma contínua. O almoço é por conta deles”, relatou.
O presidente do sindicato classificou as condições de trabalho como excessivas e afirmou que, na avaliação dele, o cansaço estaria relacionado a acidentes envolvendo motoristas. Givancir também chamou atenção para o risco de acidentes provocados pela exaustão dos trabalhadores.
“Já morreram vários colegas nossos, porque dormiram no volante. Esses profissionais estão dirigindo até a exaustão”, declarou.
Ainda segundo o sindicalista, alguns trabalhadores precisam permanecer em postos de gasolina entre os turnos por não conseguirem retornar para casa. Diante disso, a categoria está disposta a continuar a mobilização caso não haja avanço nas negociações.
“É bom que os empresários respeitem os trabalhadores. Porque, se não, amanhã tem de novo”, declarou.
