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Trânsito de Manaus registra 25% mais mortes em 2026; especialista alerta: “não é acidente, é sinistro”

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Trânsito de Manaus registra 25% mais mortes em 2026; especialista alerta: “não é acidente, é sinistro”
(Foto: Divulgação)

Manaus registrou, somente no último domingo (29), quatro mortes no trânsito, três envolvendo motociclistas e uma envolvendo um ciclista. Os números preocupam e acendem o alerta para o que especialistas chamam de “sinistros” evitáveis.

De acordo com dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMU), mais de 40 mortes já foram registradas neste início de ano. No entanto, especialistas apontam que o número real já ultrapassou os 50 óbitos. Em comparação com o mesmo período de 2025, o aumento é de 25%, no ano passado, foram 39 mortes nos três primeiros meses.

À Rede Onda Digital, o especialista em trânsito Rafael Cordeiro explica que o termo “acidente” transmite a ideia de que algo não poderia ser evitado, quando, na verdade, a maioria das ocorrências poderia ter sido prevenida.

“A nomenclatura está errada. Hoje, o termo mais adequado é sinistro de trânsito. Um sinistro está intimamente ligado ao comportamento do condutor, do usuário da via. Se uma pessoa bebe, dirige e colide, a gente tende a chamar de acidente, mas aquele comportamento era completamente evitável”, afirma.

Comportamento e responsabilidade

Cordeiro destaca que o poder público tem o dever legal de proporcionar um trânsito seguro, com ações de educação, conscientização, fiscalização e engenharia de tráfego. Mas a sociedade também precisa assumir sua parcela de responsabilidade.

“A forma como nós conduzimos contribui sim para um trânsito mais seguro”, diz.


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O especialista também ressalta que os sinistros de trânsito não são apenas um problema de mobilidade, mas uma questão social e econômica.

“Muitas vezes, perde-se um pai, um filho, uma mãe. É um problema social. Além disso, há um impacto econômico porque aquela pessoa muitas vezes é o provedor da família, que fica desamparada. E também os impactos previdenciários e na rede de saúde”, explica.

Aumento de 25%

A comparação entre os primeiros três meses de 2026 e o mesmo período de 2025 mostra uma curva ascendente que preocupa. Enquanto no ano passado foram 39 vítimas fatais, este ano já são 49, um crescimento de 25%.

“A questão do trânsito precisa ser discutida com ações no campo da prevenção. Por isso, a presença do poder público por meio da fiscalização, agentes de trânsito e fiscalização eletrônica é fundamental para moldar o comportamento e termos de fato um trânsito mais seguro”, conclui Cordeiro.