O governo dos Estados Unidos confirmou nesta semana uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho. Para a Zona Franca de Manaus (ZFM), no entanto, os números indicam que o impacto real deve ser menor do que sugere o termo “tarifaço”.
É essa a avaliação do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, para quem o aumento de tarifas anunciado pelo governo americano não deve causar efeitos significativos sobre o Polo Industrial de Manaus.
Menos de 0,11% do faturamento está exposto
Segundo Igrejas, a ZFM exporta apenas 1,7% de todo o seu faturamento, e desse percentual, cerca de 6,5% tem como destino os Estados Unidos. Na prática, isso significa que menos de 0,11% do faturamento total do polo industrial estaria sujeito às novas tarifas.
O secretário destaca ainda que quase metade da pauta de exportação para os EUA é composta por motos de competição, feitas sob encomenda, que a princípio não seriam afetadas pelo tarifaço por se tratar de um nicho especial.
“Trata-se, portanto, de um efeito marginal”, afirmou Igrejas, que reforçou que a maior parte da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM) é voltada ao mercado interno brasileiro.
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Balança comercial favorece os EUA, não o Brasil
Outro ponto levantado pelo secretário reforça essa leitura, a balança comercial entre a ZFM e os Estados Unidos é amplamente favorável aos americanos. Até junho de 2026, o polo industrial importou US$ 625 milhões dos EUA, quase 17 vezes mais do que exportou para lá.
Para Igrejas, esse desequilíbrio relativiza qualquer efeito negativo sobre a economia amazonense, já que uma eventual guerra comercial tenderia a pesar mais sobre o lado americano, que mantém um superávit expressivo no comércio bilateral com a ZFM, do que sobre o brasileiro.
Tributação no dia a dia
Segundo um especialista em contabilidade ouvido pela Rede Onda Digital, a lógica da cobrança já limita o alcance da tarifa, já que o valor incide no momento em que o produto brasileiro entra nos Estados Unidos, ou seja, o custo extra é pago pelo importador americano, não pela indústria instalada em Manaus.
“A tributação que o Trump se colocar vai ser lá nos Estados Unidos, ou seja, para nós em tese não alcança nada”, resumiu o especialista.
De acordo com ele, o problema só aparece nas vendas diretas ao mercado americano, quando o produto da ZFM perde competitividade por ficar mais caro por lá, mas o diagnóstico de baixa exposição se repete, já que a produção do polo é voltada, majoritariamente, ao mercado interno.
O especialista acrescentou que o principal risco não estaria na tarifa americana em si, mas em uma eventual resposta do governo brasileiro. Segundo ele, se o Brasil aplicar uma tarifa de reciprocidade sobre produtos dos EUA, os insumos importados por indústrias da ZFM, como polímeros usados na produção eletroeletrônica, ficariam mais caros via aumento do Imposto de Importação (II) ou de outra taxa com o mesmo objetivo.
