Desde a volta das eleições diretas, em 1982, as disputas pelo Governo do Amazonas e pela Prefeitura de Manaus são marcadas por promessas mirabolantes que viraram folclore político.
A memória dessas ideias voltou neste ano. O senador Omar Aziz (PSD) promete uma companhia aérea estatal, por meio de parceria público-privada, para conectar os municípios do interior. Cabo Daciolo (Mobiliza) garante uma ponte entre Manacapuru e Manaquiri sobre o instável rio Solimões. Maria do Carmo (PL) propõe uma via costeira elevada ligando a Ponta Negra ao Centro e, depois, à Zona Leste.
Promessas assim costumam esbarrar no Orçamento e na racionalidade econômica. Foi o caso de Gilberto Mestrinho, vencedor em 1982, que prometeu uma termoelétrica movida a cavaco em Manacapuru, com a capacidade da usina de Tucuruí (PA). Eleito, construiu parte da rede de transmissão, hoje abandonada às margens da AM-070, mas a usina nunca saiu do papel.
Seu principal aluno, Amazonino Mendes, prometeu uma estátua de mais de 30 metros de Ajuricaba no Encontro das Águas, acessada por um bondinho que partiria de onde hoje se constrói o mirante de Oscar Niemeyer, na Zona Leste.
Os sucessores seguiram o festival de ideias caras e inexequíveis. Alfredo Nascimento propôs, em 1996, o Metrô de Superfície e o projeto Nova Veneza, que nunca passaram da ideia, mesmo com ele eleito e reeleito. O sistema Expresso, que resolveria a mobilidade da capital, chegou a começar, mas restaram só as estações. Na Copa de 2014, Eduardo Braga propôs um monotrilho ligando a Zona Norte ao Centro, que começou a sair do papel no governo de Omar Aziz e acabou esquecido.
O destino provável das promessas de 2026
As promessas deste ano devem ter o mesmo fim, barradas por limites orçamentários e pela legislação ambiental e social. A ponte de Daciolo não custaria menos de R$ 11 bilhões, um terço do orçamento previsto na Lei Orçamentária deste ano.
A via expressa de Maria do Carmo esbarraria em questões ambientais, por mexer com o rio Negro, e sociais, por exigir desapropriações nas margens.
Já a “AmazonAir” de Omar exigiria muito dinheiro e expertise num setor de margens reduzidíssimas. Basta lembrar a Vasp, extinta companhia aérea do Governo de São Paulo, o estado mais rico do país.
