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Quem quer medalha? CMM transforma honraria em prêmio de Instagram

A Medalha de Ouro Rodolpho Valle já foi sinônimo de reconhecimento a trajetórias sólidas, décadas de produção cultural e contribuição efetiva para o Amazonas. Já homenageou um membro da Academia Amazonense de Letras (Tenório Telles), um compositor que levou a toada a São Paulo (Sandro Putokini) e uma empresária que transformou Manaus em rota de turnês nacionais (Bete Dezembro). Também premiou poetas, tenores e produtores culturais com carreiras longevas.

Agora, o mesmo reconhecimento vai para um humorista de 2 milhões de seguidores no Instagram, que ganhou projeção nacional há cerca de quatro anos e faz piadas sobre o cotidiano. Willian de Oliveira é engraçado? Sim. É querido? Também. Mas, com todo o respeito ao mérito artístico dele, cabe um questionamento incômodo: o que a Câmara Municipal de Manaus considera, afinal, “serviço relevante à cultura amazonense”?

Se o critério é popularidade e número de seguidores, a honraria perde o sentido. Se é gerar entretenimento, qualquer influenciador com bom alcance poderia ser medalhista. Antes, a medalha reconhecia quem formava plateia, produzia conhecimento, criava políticas culturais ou projetava o Amazonas por meio de trabalho consistente e duradouro. Hoje, parece que basta ter uma agenda de shows.

Não se trata de diminuir o humorista. O problema não é ele, e sim a banalização de um símbolo de reconhecimento cultural do estado que se propõe a ser importante. Se a CMM não define critérios claros, a medalha corre o risco de virar prêmio de Instagram.

Vale mais uma trajetória de 20 anos de produção intelectual ou alguns milhões de visualizações? A resposta deveria ser óbvia. Mas, pelo visto, em Manaus, já não é mais.

 

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A Medalha de Ouro Rodolpho Valle já foi sinônimo de reconhecimento a trajetórias sólidas, décadas de produção cultural e contribuição efetiva para o Amazonas. Já homenageou um membro da Academia Amazonense de Letras (Tenório Telles), um compositor que levou a toada a São Paulo (Sandro Putokini) e uma empresária que transformou Manaus em rota de turnês nacionais (Bete Dezembro). Também premiou poetas, tenores e produtores culturais com carreiras longevas.

Agora, o mesmo reconhecimento vai para um humorista de 2 milhões de seguidores no Instagram, que ganhou projeção nacional há cerca de quatro anos e faz piadas sobre o cotidiano. Willian de Oliveira é engraçado? Sim. É querido? Também. Mas, com todo o respeito ao mérito artístico dele, cabe um questionamento incômodo: o que a Câmara Municipal de Manaus considera, afinal, “serviço relevante à cultura amazonense”?

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