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Uns vão para a rua, outros para as redes e tem vice que ninguém mais vê

Um dos aspectos mais interessantes destas eleições é a maneira como os vices estão sendo utilizados politicamente nas quatro chapas. Cada candidatura parece atribuir uma função diferente ao segundo nome, e isso ajuda a revelar a estratégia de comunicação e articulação de cada grupo.

Shádia: a vice como extensão da campanha

No caso de David Almeida e Shádia Fraxe, a estratégia é transformar a vice em personagem eleitoral, e não apenas em integrante da chapa.

Desde o anúncio, Shádia aparece em agendas, vídeos e conteúdos digitais, ajudando a dar à candidatura um rosto feminino e uma narrativa própria. A experiência dela à frente da Secretaria Municipal de Saúde também permite associar seu nome ao tema da saúde, argumento utilizado pelo próprio David ao justificar a escolha.

O adesivaço reforça essa lógica. Ao convocar e mobilizar apoiadores, Shádia deixa de ocupar uma posição meramente protocolar e passa a atuar diretamente na campanha.

A estratégia, portanto, é construir a imagem de uma chapa em que os dois nomes tenham presença pública.

Serafim: experiência transformada em conteúdo

A estratégia de Roberto Cidade com Serafim Corrêa segue outro caminho.

Serafim já possui trajetória política própria e um capital acumulado que dispensa uma construção do zero. Foi prefeito de Manaus, deputado estadual e ocupou funções ligadas à administração pública. A própria composição de Cidade e Serafim já havia sido utilizada na eleição indireta para o governo, em maio deste ano.

Agora, a comunicação pode explorar justamente esse patrimônio político: histórias, memórias da política amazonense, bastidores e explicações sobre temas públicos.

A lógica é transformar experiência em conteúdo e fazer de Serafim não apenas um integrante da chapa, mas também uma fonte de comunicação política.

Alessandra: capilaridade política

Com Omar Aziz e Alessandra Campêlo, a lógica parece estar mais concentrada na articulação política e territorial do que na produção de conteúdo digital.

A escolha de Alessandra acrescenta à chapa experiência parlamentar, presença política e representação feminina. Na prática, ela aparece em reuniões, encontros com lideranças e agendas políticas, especialmente no interior.

Nesse desenho, Alessandra funciona como uma peça de articulação da campanha, reforçando a presença da chapa junto a grupos políticos e lideranças.

É uma estratégia mais baseada em estrutura, alianças e presença territorial do que em exposição digital.

Mário Aníbal: quando a ausência também comunica

O contraste mais forte aparece na chapa de Maria do Carmo.

Mário Aníbal tem tido pouca presença pública na comunicação da candidatura. O problema, nesse caso, não é necessariamente o vice não aparecer nas redes, mas a dificuldade de identificar qual função eleitoral ele desempenha publicamente dentro da chapa.

Em uma eleição para governador, o eleitor precisa começar a reconhecer não apenas o candidato, mas também a composição que o acompanha. Quando o cabeça de chapa concentra praticamente toda a exposição, o vice corre o risco de ser percebido apenas como uma informação do registro eleitoral.

Isso cria um contraste com as demais candidaturas:

Shádia aparece na comunicação e na mobilização;
Serafim pode ser explorado a partir de sua experiência e trajetória;
Alessandra ocupa espaço na articulação política e territorial;
Mário Aníbal ainda não apresenta, de forma pública e consistente, uma função eleitoral claramente identificável.

É importante fazer uma ressalva: pouca exposição pública não significa necessariamente ausência de atuação política. Pode haver articulação de bastidores, agendas privadas ou uma estratégia deliberada de exposição limitada. A análise, portanto, é sobre a comunicação pública das campanhas, não sobre a atuação interna de cada vice.

O que a disputa entre os vices revela

Os quatro nomes estão sendo colocados em posições diferentes dentro das respectivas estratégias.

Shádia é associada à mobilização, comunicação e saúde.

Serafim, à experiência, conteúdo e memória política.

Alessandra, à articulação e à presença territorial.

Mário Aníbal ainda busca uma narrativa pública mais clara dentro da chapa.

A questão, no fim, não é se o vice precisa ter o mesmo protagonismo do candidato ao governo. Não precisa.

Mas, em uma campanha majoritária, ele precisa ter uma função política compreensível para o eleitor.

No caso de Serafim, essa função está ligada à experiência. Em Shádia, à saúde e à renovação. Em Alessandra, à articulação política e à presença feminina.

Na chapa de Maria do Carmo, essa narrativa ainda não aparece com a mesma clareza.

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Um dos aspectos mais interessantes destas eleições é a maneira como os vices estão sendo utilizados politicamente nas quatro chapas. Cada candidatura parece atribuir uma função diferente ao segundo nome, e isso ajuda a revelar a estratégia de comunicação e articulação de cada grupo.

Shádia: a vice como extensão da campanha

No caso de David Almeida e Shádia Fraxe, a estratégia é transformar a vice em personagem eleitoral, e não apenas em integrante da chapa.

Desde o anúncio, Shádia aparece em agendas, vídeos e conteúdos digitais, ajudando a dar à candidatura um rosto feminino e uma narrativa própria. A experiência dela à frente da Secretaria Municipal de Saúde também permite associar seu nome ao tema da saúde, argumento utilizado pelo próprio David ao justificar a escolha.

O adesivaço reforça essa lógica. Ao convocar e mobilizar apoiadores, Shádia deixa de ocupar uma posição meramente protocolar e passa a atuar diretamente na campanha.

A estratégia, portanto, é construir a imagem de uma chapa em que os dois nomes tenham presença pública.

Serafim: experiência transformada em conteúdo

A estratégia de Roberto Cidade com Serafim Corrêa segue outro caminho.

Serafim já possui trajetória política própria e um capital acumulado que dispensa uma construção do zero. Foi prefeito de Manaus, deputado estadual e ocupou funções ligadas à administração pública. A própria composição de Cidade e Serafim já havia sido utilizada na eleição indireta para o governo, em maio deste ano.

Agora, a comunicação pode explorar justamente esse patrimônio político: histórias, memórias da política amazonense, bastidores e explicações sobre temas públicos.

A lógica é transformar experiência em conteúdo e fazer de Serafim não apenas um integrante da chapa, mas também uma fonte de comunicação política.

Alessandra: capilaridade política

Com Omar Aziz e Alessandra Campêlo, a lógica parece estar mais concentrada na articulação política e territorial do que na produção de conteúdo digital.

A escolha de Alessandra acrescenta à chapa experiência parlamentar, presença política e representação feminina. Na prática, ela aparece em reuniões, encontros com lideranças e agendas políticas, especialmente no interior.

Nesse desenho, Alessandra funciona como uma peça de articulação da campanha, reforçando a presença da chapa junto a grupos políticos e lideranças.

É uma estratégia mais baseada em estrutura, alianças e presença territorial do que em exposição digital.

Mário Aníbal: quando a ausência também comunica

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Mário Aníbal tem tido pouca presença pública na comunicação da candidatura. O problema, nesse caso, não é necessariamente o vice não aparecer nas redes, mas a dificuldade de identificar qual função eleitoral ele desempenha publicamente dentro da chapa.

Em uma eleição para governador, o eleitor precisa começar a reconhecer não apenas o candidato, mas também a composição que o acompanha. Quando o cabeça de chapa concentra praticamente toda a exposição, o vice corre o risco de ser percebido apenas como uma informação do registro eleitoral.

Isso cria um contraste com as demais candidaturas:

Shádia aparece na comunicação e na mobilização;
Serafim pode ser explorado a partir de sua experiência e trajetória;
Alessandra ocupa espaço na articulação política e territorial;
Mário Aníbal ainda não apresenta, de forma pública e consistente, uma função eleitoral claramente identificável.

É importante fazer uma ressalva: pouca exposição pública não significa necessariamente ausência de atuação política. Pode haver articulação de bastidores, agendas privadas ou uma estratégia deliberada de exposição limitada. A análise, portanto, é sobre a comunicação pública das campanhas, não sobre a atuação interna de cada vice.

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Shádia é associada à mobilização, comunicação e saúde.

Serafim, à experiência, conteúdo e memória política.

Alessandra, à articulação e à presença territorial.

Mário Aníbal ainda busca uma narrativa pública mais clara dentro da chapa.

A questão, no fim, não é se o vice precisa ter o mesmo protagonismo do candidato ao governo. Não precisa.

Mas, em uma campanha majoritária, ele precisa ter uma função política compreensível para o eleitor.

No caso de Serafim, essa função está ligada à experiência. Em Shádia, à saúde e à renovação. Em Alessandra, à articulação política e à presença feminina.

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