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Corrida pelas duas vagas do Senado fica mais clara com movimento dos pré-candidatos no AM

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Corrida pelas duas vagas do Senado fica mais clara com movimento dos pré-candidatos no AM
(Arte: Rede Onda Digital)

A corrida pelas duas vagas do Amazonas no Senado Federal tornou-se, aos poucos, mais clara neste mês de fevereiro, com os principais grupos políticos apresentando seus pré-candidatos ao eleitorado. A expectativa é de que ao menos sete nomes disputem as duas vagas, sendo cinco deles já em pré-campanha: Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB), Wilson Lima (União Brasil), Alberto Neto (PL), Marcelo Ramos (PT) e Marcos Rotta (sem partido definido).

Braga e Valério são candidatos naturais à reeleição, Wilson Lima, Alberto Neto e Marcelo Ramos serão candidatos dentro da estratégia política dos partidos deles. Marcos Rotta entrou na disputa a partir de uma articulação do grupo político que, eventualmente, pretende lançar o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao governo do Estado.

Em 2010, Braga teve eleição tranquila ao deixar o governo do Estado com altos índices de aprovação. Na reeleição seguinte, porém, enfrentou dificuldades, sendo superado por Valério e quase derrotado por Luiz Castro (PDT). Agora, busca fortalecer sua posição ao se equilibrar entre o apoio dos principais pré-candidatos ao governo do Estado.

O senador do MDB deverá contar tanto com o apoio de Omar Aziz, com quem anda rodando o Estado, quanto de David, que a todo momento destaca a ajuda que Braga lhe deu tanto com recursos de emendas, quanto com acesso aos programas do governo Lula.

Braga tem uma base azeitada de prefeitos aliados no interior e que tiveram as administrações irrigada com recursos das emendas parlamentares destinadas pelo senador. Destacam-se entre eles os prefeitos de importantes municípios do interior, eleitos com seu apoio: Valciléia Maciel, de Manacapuru (maior colégio eleitoral do interior); Mario Abrahim, em Itacoatiara (segundo maior colégio eleitoral); e Mateus Assayag, de Parintins (terceiro maior colégio eleitoral).

Plínio Valério será candidato com voo solo, pois não apoiará nenhum candidato ao Governo do Estado. O PSDB vai concentrar esforços na reeleição dele e na conquista de cadeiras na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

O senador tucano aposta na visibilidade que ganhou nos sete anos de exercício do mandato, na distribuição igualitária de recursos de emendas parlamentares e, principalmente, na imagem de defensor do “homem da amazônia”, cultivada nos embates dele contra a ministra do Meio Ambiente da Mudança Climática, Marina Silva, pela reconstrução da rodovia BR-319, regularização da mineração e a forte oposição que fez as operações da Polícia Federal contra garimpeiros nos municípios de Manicoré e Humaitá, no ano passado.


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O governador Wilson Lima novamente relativizou a possibilidade de renunciar ao cargo em 4 de abril e disputar uma vaga no Senado em outubro, durante entrevista a uma rádio de Parintins.

Na conversa com radialistas parintinenses, ele disse que a decisão de concorrer ao Senado não é apenas dele, mas depende do partido e dos aliados dele.

Tomando esse critério, a nota do União Brasil que anuncia a filiação do vice-governador Tadeu de Souza ao PP, na semana passada, era clara: “Movimento faz parte da estratégia da eleição de Wilson ao Senado”. Portanto, o partido quer Wilson disputando o senado.

O mesmo espírito domina o PL, do deputado Alberto Neto, pré-candidato ao Senado desde o ano passado a pedido do grupo que orbita o ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia é fazer uma bancada bolsonarista forte no Senado e assim poder votar temas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e barrar no Legislativo os planos e programas de um eventual quarto mandato de Lula.

No contraplano, a candidatura do ex-deputado federal Marcelo Ramos visa anular essa estratégia de Bolsonaro, conquistando uma cadeira no Senado e barrando os planos de ataque ao Supremo Tribunal Federal, bem como garantindo a governabilidade do eventual Lula 4.

Por fim, a última candidatura a sair do armário é a de Marcos Rotta, lançada em dezembro por David, mas que estava em banho-maria desde então, devido ao potencial para atrapalhar a votação de Eduardo Braga, um aliado do prefeito, em Manaus.

Com a manifestação de hoje nas redes sociais de Rotta, restou claro que o chefe da Casa Civil de David disputará uma vaga de senador de olho no chamado segundo voto do eleitor, considerado pelos analistas o mais volátil em eleições nas quais estão em jogo duas vagas para o Senado e que pode ser “capturado” por um candidato de menor potencial.

Por fim, existe a expectativa de que a Federação PSOL-Rede e um partido mais à esquerda, como PSTU, também tenham candidatos majoritários, completando o quadro de candidatos que estará à disposição do eleitorado amazonense.