A primeira parte do jogo sucessório para o Governo do Estado e Senado Federal, quando os interessados em disputar a eleição precisam deixar os cargos que ocupam até 4 de abril, está próxima de acabar, mas ainda em meio a grandes movimentações e possibilidades. No entanto, os estrategistas políticos já estão mirando a segunda data mais importante deste calendário: o período para realização das convenções partidárias, momento em que as alianças eleitorais são alinhadas.
No atual quadro, o senador Omar Aziz já reúne um número importante de partidos em torno da pré-candidatura dele ao Governo do Estado, mas até a convenção a perspectiva é engordar o cesto de apoios, pescando até partidos que hoje estão em outras canoas. Concretamente, Omar terá na coligação dele o próprio partido, o PSD, as federações Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PSOL/Rede; Republicanos, Podemos e o MDB, do senador Eduardo Braga.
No silêncio, Omar trabalha para garantir na aliança partidos que hoje orbitam o grupo político do governador Wilson Lima num cenário em que este ficará no cargo até o final do mandato. Assim, chegariam para a coligação de Omar a Federação União Progressista (União Brasil e PP), PSB, Solidariedade e PRD. Essa aliança tira do páreo o vice-governador Tadeu de Souza, recém-filiado ao PP.
Para Tadeu de Souza, que ainda não perdeu a esperança de assumir o governo com a eventual volta atrás de Wilson e a renúncia dele em abril, a perspectiva é manter a União Progressista fechada com ele, atrair o PSB do secretário Serafim Corrêa e fisgar pequenos partidos que caminham para a cesta de Omar, como o Podemos, Solidariedade e PRD.
O prefeito David Almeida, que na última semana flertava com a possibilidade de abdicar da candidatura e manter-se no comando de Manaus, a formação de uma aliança é bem difícil, pois mesmo no poder da quinta cidade mais rica do País há seis anos, ele praticamente mantém os mesmos aliados de sempre: o Avante e o Agir, com a chegada do PDT agora em fevereiro.
A possibilidade de atrair novos partidos existe, mas todos de um espectro pequeno da política e que só agregariam mobilização, mas não tempo de TV na propaganda de rádio e TV. David sabe dessa dificuldade e parece estar conformado com ela, pois diversas vezes neste mês destacou que os aliados dele são só o Agir e PDT e que com menos já ganhou duas eleições em Manaus.
Com um círculo de alianças ainda mais restrito, a pré-candidatura da empresária Maria do Carmo Seffair reúne hoje o partido dela, o PL, e o Novo, que ela já presidiu no Amazonas. O Novo, inclusive, é considerado o destino dela caso perca a indicação para disputar o Governo do Estado. Dentre os partidos da ala conservadora, não há quase diálogo com o PL, que na eleição municipal de 2024 tinha essa mesma dobradinha de partidos.
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Como são feitas as coligações
A composição das chapas que vão disputar a eleição geral deste ano envolve a troca de apoio pelos postos em disputa. Um partido com candidato ao governo pode oferecer ao aliado o posto de vice, uma ou duas vagas para o Senado e as respectivas suplências.
Até o momento, a maior aliança sendo costurada é a de Omar Aziz. Ele já tem uma vaga preenchida de senador na chapa dele, destinada ao senador Eduardo Braga para garantir o MDB. A outra vaga deverá ser destinada à Federação Brasil da Esperança, que hoje trabalha o nome do ex-deputado federal Marcelo Ramos. As quatro suplências podem ser indicadas por outros aliados.
A joia da coroa numa aliança como essa é o posto de vice, hoje alvo de uma discussão entre Omar e partidos que estarão com ele, sendo que nas últimas semanas cresceu a possibilidade de agregar a Federação União Progressista e dar uma vaga de vice a um indicado pelo governador Wilson Lima, sendo favorito o presidente da Aleam, Roberto Cidade.
Do lado do prefeito David Almeida, o jogo começou a ser jogado nesta quarta-feira (11), quando foi confirmada a pré-candidatura de Marcos Rotta a senador. Para os aliados, David pode oferecer, além da vaga de vice, a segunda vaga de senador e as respectivas suplências.
Maria do Carmo Seffair, neste cenário de união entre PL e Novo, já tem um candidato ao senado, o deputado federal Alberto Neto. No encontro que ela e outros políticos do PL tiveram com o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anotações do senador apontaram um apoio à candidatura à reeleição do senador Plínio Valério (PSDB), mas como os tucanos indicam que terão candidato à Presidência, uma aliança estadual estará descartada.
Tadeu de Souza, que entrou por último nessa disputa, ainda não tem perspectiva de aliados e, por isso, usará todo o tempo disponível até as convenções, que devem acontecer entre a última semana de julho e o dia 5 de agosto.