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Entenda como funcionava o esquema fraudulento do Banco Master

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Entenda como funcionava o esquema fraudulento do Banco Master
(Foto: Montagem/Rede Onda Digital)

O caso Banco Master ganhou grande repercussão nos últimos meses com prisões de bancários e o envolvimento direto e indireto de pessoas influentes no esquema que causou um rombo de R$ 40 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Crédito). A rede de fraudes parece ser complexa, mas o esquema seguia um conceito já conhecido pela Polícia Federal e muito usado por estelionatários, o esquema Ponzi.

Pirâmide financeira

O esquema Ponzi é uma operação fraudulenta sofisticada de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve a promessa de pagamento de rendimentos anormalmente altos (“lucros”) aos investidores à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, usou esse conceito para aplicar uma “teia” de fraudes.

Esquema Ponzi, (Foto: Reprodução/Irib)

Investigações da Polícia Federal e do Banco Central do Brasil apontam que o Banco Master operava um esquema fraudulento baseado na captação de recursos com promessas de alto retorno, sem sustentação financeira real.

Promessa de ganhos acima do mercado

O banco atraía investidores ao oferecer CDBs (ações) com rentabilidade muito superior à média, chegando a cerca de 150% do CDI (isso significa que no Banco Master, o dinheiro aplicado ia render 50% por ano). A estratégia funcionava como uma “isca” para captar grandes volumes de dinheiro.

(Foto: Reprodução/Instagram) A foto mostra o CDB rendendo incríveis 182% do CDI

Para ocultar a situação financeira, o banco teria inflado seus balanços, supervaloriozando ativos, criando carteiras de crédito consideradas fictícias.

Tática para disfarçar o golpe

Como o esquema Ponzi, funciona igual uma esteira, a primeira entrada de capital era a que importava para Vorcaro foi com esse dinheiro que o bancário conseguiu utilizar laranjas para mascarar os crimes cometidos. Para chegar ao esquema de pirâmide, Vorcaro utilizou a tática da Gestão Fraudulenta que é a criação de título de créditos fictícios. O Banco Master precificava o crédito e emprestava dinheiro para os laranjas comprarem os títulos, para registrar a transação no mercado financeiro. Por meio dessa triangulação, o dinheiro começava a circular na empresa. Tudo isso, para aparentar solidez diante do mercado e dos órgãos reguladores.

O bancário estava basicamente transformando “papelão em dinheiro” e desviando parte dos recursos para os chamados Fundos “Frozen”.  Esses fundos de investimento serviam para ocultar os desvios bilionários. O Banco Master teria enviado R$ 285 milhões para um fundo ligado a Vorcaro pouco antes da liquidação do banco em novembro de 2025.

(Foto: Reprodução)

Esquema de Daniel Vorcaro

Vorcaro usava a Triangulação entre laranjas para ludibriar o mercado financeiro e atrair clientes, depois, oferecia ações CDBs com rentabilidade muito superior à média para manter boa reputação, atrair diferentes tipos de clientes e manter investidores “high ticket” (com alto poder aquisitivo). Por fim, o bancário desviava metade dos recursos para Fundos Frozen e empresas de pequeno porte.

Relatórios da PF apontam que transações simuladas geraram lucros superiores a R$ 440 milhões para Vorcaro em um curto período, utilizando fundos como ‘Rans’ e ‘Itabuna’.

Quase check-mate

O Banco de Brasília (BRB) foi utilizado para comprar carteiras de crédito supostamente fraudulentas emitidas no esquema, totalizando R$ 12,2 bilhões, segundo depoimentos e investigações. Pouco tempo depois, em 3 de setembro de 2025, o Banco Central (BC) rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A operação previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O negócio, anunciado em março daquele ano, já enfrentava resistência no mercado devido ao modelo de captação considerado arriscado e à qualidade questionada de parte dos ativos da instituição.

Após aplicar o esquema por anos, Vorcaro tentou vender o Banco Master, para o BRB que é um banco estatal, ou seja, o governo iria assumir o rombo e o esquema fraudulento do Banco Master. O estado teria um prejuízo enorme enquanto Vorcaro se tornaria oficialmente um dos homens mais ricos do país.

Colapso do sistema

A venda não foi concretizada, o esquema entrou em colapso quando a entrada de novos recursos deixou de sustentar os pagamentos. Diante do cenário, o Banco Central interveio e determinou a liquidação da instituição em novembro de 2025.

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)

Ressarcimento dos investidores

Como os produtos oferecidos eram CDBs, parte dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos, que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição. O impacto financeiro das liquidações extrajudiciais ligadas ao antigo conglomerado do Banco Master já representou um rombo estimado de R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) apenas em garantias a serem pagas a clientes e investidores. O valor corresponde a 48,05% do lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões registrado pelos principais bancos brasileiros em 2025.

A conta considera R$ 40,6 bilhões do Banco Master, R$ 6,3 bilhões do Will Bank e R$ 4,9 bilhões do Banco Pleno, conforme dados citados na apuração da PF.