A crise financeira e política no Paraguai pode provocar efeitos econômicos em municípios brasileiros que dependem da circulação de pessoas, mercadorias, serviços e investimentos entre os dois países. O alerta é do economista César Bergo à Rede onda Digital, nesta quinta-feira (5/11), que aponta riscos de desemprego, redução do consumo e retração de investimentos nas cidades de fronteira caso a instabilidade se prolongue.
Entre as localidades mais expostas estão Foz do Iguaçu, no Paraná, e Ponta Porã, Guaíra e Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul e no Paraná. Segundo Bergo, essas cidades têm menor capacidade de absorver impactos externos porque parte de suas atividades econômicas está diretamente ligada às relações comerciais com o país vizinho.
“Caso se prolongue, poderá haver uma retração de investimentos, também um desemprego e redução do consumo nas fronteiras”, afirmou o economista.
A preocupação ocorre em um momento de forte integração comercial. Dados da Receita Federal mostram que o Porto Seco de Foz do Iguaçu movimentou US$ 9,79 bilhões em operações de comércio exterior em 2025. Do total de caminhões que passaram pelo terminal, 77,5% estavam envolvidos em operações com o Paraguai.

Para Bergo, uma crise prolongada pode atingir empresas brasileiras que operam no território paraguaio, além de negócios que dependem de fornecedores, consumidores e trabalhadores dos dois lados da fronteira. Também pode aumentar a pressão sobre serviços públicos e estruturas de fiscalização.
O economista avalia, porém, que os efeitos sobre a economia brasileira como um todo tendem a ser limitados, considerando a dimensão e a diversificação do mercado nacional. A situação é diferente nas cidades fronteiriças, onde a dependência das atividades transfronteiriças torna os impactos potencialmente mais intensos.
Bergo também chama atenção para a importância estratégica de Itaipu e da região da Tríplice Fronteira.
“O Brasil tem uma economia muito maior e mais diversificada, então tem condições de absorver boa parte desses efeitos de uma crise paraguaia, mesmo que ela se prolongue”, disse.
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Na avaliação dele, o Brasil precisa acompanhar a situação e preservar a integração econômica para evitar que a instabilidade institucional se transforme em uma crise de segurança e desenvolvimento regional.
“É necessário antecipar esses riscos para o mercado brasileiro, preservando a integração da economia, impedir que a instabilidade institucional se transforme em uma crise de segurança e desenvolvimento regional, porque existe essa importância, sobretudo ali na Tríplice Aliança, na fronteira”, disse.
A crise ganhou força após o Banco Central do Paraguai iniciar, em 3 de novembro, o procedimento de resolução do Ueno Bank, depois de identificar insuficiência no índice de solvência da instituição. A medida provocou preocupação entre clientes, trabalhadores e empresas ligadas ao grupo econômico. A instabilidade também se aprofundou no campo político, com a renúncia do presidente Santiago Peña nesta quinta-feira (5).
