Metade dos eleitores brasileiros acredita que existe possibilidade de outros países interferirem nas eleições de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (23). Do total de entrevistados, 32% consideram essa possibilidade um problema, enquanto 18% dizem que a interferência pode ocorrer, mas não representa uma preocupação.
Por outro lado, 43% afirmam que não há chance de outros países interferirem na eleição brasileira. Outros 8% não souberam ou não responderam.
O resultado coloca a influência estrangeira entre as preocupações que atravessam o cenário eleitoral deste ano, em um momento de tensões diplomáticas envolvendo o Brasil e dois de seus principais parceiros internacionais, Estados Unidos e Argentina.
Como os eleitores de Lula e Flávio avaliam o risco
A percepção varia entre os eleitores que declaram intenção de voto nos dois principais nomes da disputa presidencial.
Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 36% acreditam que existe possibilidade de interferência estrangeira e consideram isso um problema. Outros 10% veem possibilidade de interferência, mas não consideram a situação preocupante. Para 44%, não há chance de outros países interferirem na eleição.
Já entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL), 25% afirmam que existe chance de interferência estrangeira e que isso seria um problema. Outros 31% dizem acreditar na possibilidade, mas não consideram a situação problemática. Para 38%, não há risco de interferência de outros países.
Os números mostram, portanto, uma diferença na forma como os dois grupos enxergam o tema: entre os eleitores de Flávio, é maior a parcela que acredita que uma interferência estrangeira poderia ocorrer, mas não seria necessariamente um problema.
Leia mais
Datafolha indica para onde vão os votos de Zema, Caiado e Renan Santos no 2º turno
Datafolha: Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro, 43% no segundo turno
Pesquisa ocorre em meio a tensões diplomáticas
O levantamento foi realizado em um período de conflitos diplomáticos entre o Brasil e governos de países considerados parceiros tradicionais.
No início de agosto, após uma sequência de críticas do presidente argentino Javier Milei ao presidente Lula, o Itamaraty comunicou ao embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi, que as tratativas do governo brasileiro passariam a ser realizadas apenas com o encarregado de negócios da Argentina em Brasília.
A relação com os Estados Unidos também atravessa um período de tensão. No mesmo período, o governo do presidente Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Segundo o governo norte-americano, a decisão ocorreu em caráter de reciprocidade, diante da demora do Brasil em conceder autorização ao indicado por Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O que diz o eleitorado
A pesquisa Datafolha indica que o tema divide a população. Embora 43% descartem a possibilidade de interferência estrangeira, outros 50% admitem algum nível de possibilidade, seja considerando a situação um problema ou não.
O resultado ganha relevância em uma eleição marcada pela polarização e pela disputa entre Lula e Flávio, além da crescente influência de fatores externos sobre o debate político brasileiro.
A pesquisa ouviu 2.058 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.
