A mobilização de bispos da Igreja Católica no Amazonas em torno das eleições ocorre em um cenário de mudança no perfil religioso do Estado. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a população evangélica avançou de 30,56% para 39,37% entre 2010 e 2022, enquanto a participação dos católicos caiu de 60,01% para 47,39%.
Com 39,37% da população de 10 anos ou mais declarada evangélica, o Amazonas passou a ter a terceira maior proporção desse grupo entre os estados brasileiros, atrás de Rondônia e Acre. Em números absolutos, são cerca de 1,27 milhão de pessoas. Os católicos somam aproximadamente 1,53 milhão.
Enquanto os bispos da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, regional Norte 1, que envolve 13 áreas, publicaram, a 13 dias da eleição, um apelo pelo voto consciente e pedindo que os católicos busquem conhecer os candidatos, os evangélicos discutem em quem vão votar desde o ano passado.
Mensagem dos bispos aos fiéis
É nesse ambiente de diversidade religiosa que o cardeal da Amazônia, dom Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus, e outros 13 bispos de dioceses do interior do Amazonas divulgaram uma mensagem aos fiéis sobre a participação nas eleições.
No vídeo, os religiosos convocam os eleitores a exercer o direito de voto e apresentam a escolha eleitoral como uma responsabilidade cristã. A mensagem também pede reflexão sobre as candidaturas e chama atenção para a defesa da Amazônia e de suas populações.
Entre as frases utilizadas pelos bispos estão “o voto não é mercadoria” e “o voto não tem preço, tem consequências”.
A manifestação ocorre na reta final da campanha para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Orientações anteriores de Steiner
A Igreja Católica, por meio de Steiner, já havia divulgado neste mês orientações semelhantes aos eleitores. Em artigo publicado pela Arquidiocese de Manaus, o cardeal recomendou que os eleitores conheçam a história, as ideias e as propostas dos candidatos e observem seus partidos e compromissos públicos.
O documento também cita temas como transparência na administração pública, combate à corrupção eleitoral, abuso do poder econômico e compra de votos. Steiner orienta ainda os eleitores a considerar o compromisso das candidaturas com o meio ambiente e com a Amazônia, seus povos e culturas.
A preocupação com a Amazônia também aparece em outro texto publicado pelo cardeal em setembro. Ao tratar das eleições e da chamada ecologia integral, Steiner afirma que o voto é uma forma de participação no cuidado com o bem comum e defende que os eleitores escolham representantes comprometidos com a preservação ambiental e com os povos indígenas e comunidades que vivem nas florestas.
