O candidato a deputado federal pelo Missão, Jota Brandão, propõe a criação de um polo de formação técnica para crianças e adolescentes de 10 a 17 anos no Amazonas. A ideia foi apresentada em entrevista ao Onda News, nesta segunda-feira (28/9), e prevê atividades profissionalizantes no contraturno escolar.
Segundo Brandão, o projeto seria progressivo e levaria em conta a idade dos alunos. Começaria com conteúdos introdutórios e avançaria para atividades práticas conforme a evolução do estudante.
Entre as áreas citadas estão bioeconomia, farmacoquímica, robótica, impressão 3D e esportes. A intenção é que o jovem tenha contato antecipado com diferentes campos profissionais e conclua a educação básica com qualificações que facilitem a entrada no mercado de trabalho.
“A proposta é um polo técnico infanto-juvenil, diferente do que é o Mathias Maclean ou o Sistema S, Senai, Senac e Sesi”, explicou.
Formação no contraturno
As atividades ocorreriam fora do horário regular, sem substituir a educação formal. Brandão defende que os estudantes desenvolvam habilidades técnicas enquanto continuam frequentando a escola.
A ideia é que o jovem entre no programa aos 10 anos e avance gradualmente pelos níveis de formação. O candidato também defende que os estudantes possam concluir o ciclo com mais de uma formação técnica, ampliando as possibilidades de inserção profissional.
“O aluno vai começar pelas partes empírica, introdução, até vir a parte prática”, afirmou.
Evasão escolar
Brandão relacionou a proposta à evasão escolar no Amazonas. Segundo ele, há perda significativa de estudantes ao longo da trajetória escolar, especialmente entre os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio.
Na avaliação do candidato, oferecer perspectiva profissional ainda durante a escola poderia manter os jovens estudando e prepará-los para o futuro. Ele argumenta que muitos terminam a escola sem experiência e precisam buscar formação depois para disputar vagas no mercado.
“Há uma lacuna que a gente precisa preencher”, afirmou.
Qualificação como alternativa à criminalidade
Outro argumento do candidato é que a falta de oportunidades pode aumentar a vulnerabilidade de jovens que precisam buscar renda. Para Brandão, formação e perspectivas profissionais poderiam ser uma alternativa para adolescentes de áreas em que o crime organizado também disputa mão de obra.
“Quando esse jovem não tem uma frente de estudo, ele vai procurar uma renda, infelizmente, no crime organizado, porque é mais fácil”, declarou.
A proposta é apresentada pelo candidato como uma política que une educação, formação profissional e prevenção social.
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Bioeconomia e tecnologia
Brandão defende que a formação esteja conectada às características econômicas do Amazonas. Por isso, além das disciplinas tradicionais, o polo teria áreas ligadas à bioeconomia e à farmacoquímica. A tecnologia é outro eixo, com robótica e impressão 3D.
Para o candidato, preparar os jovens nessas áreas poderia ampliar as possibilidades profissionais e estimular novas atividades econômicas no estado.
Permanência dos jovens no Amazonas
Segundo Brandão, a proposta também se relaciona à necessidade de criar oportunidades econômicas para evitar que jovens deixem o estado em busca de emprego em outras regiões. Ele citou o êxodo de amazonenses para o Sul e o Sudeste como um dos problemas a enfrentar.
“O Amazonas hoje, quando um jovem, quando ele tem a minha idade de 35 anos até 45, ele não se contenta mais com o Estado, ele vai embora”, afirmou.
Brandão defende que a formação profissional venha acompanhada de novas oportunidades de trabalho e renda. Nesse contexto, argumenta que a Zona Franca de Manaus continua importante para a economia do estado, mas que o Amazonas precisa desenvolver outras frentes para ampliar as oportunidades da população.
