O resultado das eleições de domingo (4) mudou a correlação de forças no Senado Federal e colocou o PL em posição de liderança para a próxima legislatura. O partido elegeu 19 senadores e deverá iniciar 2027 com 28 representantes, já que nove estão em meio de mandato. É a maior bancada de uma legenda no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988.
Os novos senadores tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027, com mandato até janeiro de 2035. Dos 81 assentos, 54 foram disputados neste ano, o equivalente a dois terços da Casa.
Com 28 dos 81 senadores, o PL terá 34,6% do Senado. Sua bancada será mais de três vezes maior que a do PT e a do MDB, que terão nove senadores cada. O partido elegeu os dois senadores em cinco unidades da Federação:
- Distrito Federal (Michele Bolsonaro e Bia Kicis)
- Mato Grosso do Sul (Reinaldo Azambuja e Capitão Contar)
- Rio de Janeiro (Carlos Portinho e Carlos Jordy)
- Rondônia (Dr Fernando Máximo e Bruno Scheidt)
- e Santa Catarina (Carol de Toni e Carlos Bolsonaro).
A baixa inesperada foi a derrota do deputado federal Capitão Alberto Neto no Amazonas. Nas pesquisas, ele sempre apareceu à frente do senador reeleito Plínio Valério (PSDB).
O PT elegeu quatro nomes e manteve os cinco que já tinham mandato, somando nove senadores, o mesmo número do MDB. A terceira força será a Federação União-Progressista, formada por União Brasil e PP, com 12 senadores. Diferentemente da Câmara, os dois partidos são contabilizados como bancadas independentes no Senado: seis para o União Brasil e seis para o PP.
O Republicanos terá cinco senadores, PSD e PSB terão quatro cada, o Novo terá três, PSDB e Podemos terão dois cada, e Rede Sustentabilidade e PDT terão um cada.
Meta do PL: impeachment de ministros do STF
O tamanho da bancada dá ao PL capacidade de liderar as negociações políticas da Casa, mas não permite que o partido controle sozinho o Senado. A maioria absoluta exige 41 votos.
Em articulação com partidos do chamado centrão, o PL terá força para eleger o presidente do Senado. O nome indicado é o do atual senador Rogério Marinho (PL-RN), apoiador da principal causa defendida pelo partido: o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Para cassar o mandato de um ministro do STF, são necessários 54 votos, número que o PL pode alcançar com alianças. O senador reeleito pelo Amazonas, Plínio Valério (PSDB), é favorável ao impeachment de ministros da Corte. Com boa articulação, portanto, o PL pode liderar processos desse tipo.
O cenário também valoriza as bancadas do centro. União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB reúnem votos capazes de definir o resultado de votações quando somados ao PL ou ao campo governista.
Renovação surpresa
A eleição produziu ainda uma renovação significativa. Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, apenas 14 conseguiram novo mandato. A partir de fevereiro, 40 dos 54 senadores escolhidos neste ano serão estreantes na Casa ou ocuparão o Senado pela primeira vez em uma nova legislatura. Ficaram de fora expoentes da política dos últimos oito anos, como Randolfe Rodrigues (PT/AP) e Soraya Thronicke (Pode/MS).
O resultado também ampliou a presença feminina. Doze mulheres foram eleitas para as 54 vagas em disputa, o maior número em uma única eleição desde a redemocratização. A bancada feminina deverá chegar a 18 integrantes em 2027.
Veja a composição:

