Imagens manipuladas, deepfakes, notícias falsas e enquetes fora dos critérios da Justiça Eleitoral estão entre os conteúdos monitorados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) durante a campanha de 2026.
A duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o tribunal já analisou 84 conteúdos suspeitos com o apoio da plataforma GuaIA, ferramenta de inteligência artificial que auxilia na identificação e triagem de possíveis casos de desinformação e irregularidades na propaganda eleitoral na internet.
Em funcionamento desde 16 de agosto, início da propaganda eleitoral, a plataforma é utilizada pelo Comitê de Enfrentamento à Desinformação (CED) do TRE-AM. O monitoramento ocorre tanto a partir de denúncias recebidas pelo aplicativo Pardal quanto pela busca ativa de conteúdos publicados nas redes sociais, entre elas Instagram, Facebook, X, YouTube, TikTok, WhatsApp, Telegram, Threads, Reddit, Kwai, Snapchat e Discord.
Pesquisas e enquetes também entram na triagem
Um dos focos do monitoramento são conteúdos que podem apresentar informações distorcidas sobre a disputa eleitoral. Segundo Samuel Oliveira, integrante do CED e responsável pelo monitoramento, estão entre os casos analisados enquetes que apresentam apenas parte das candidaturas ou dão destaque maior a determinado concorrente.
A preocupação é que esse tipo de publicação possa criar uma percepção distorcida sobre a disputa entre os candidatos. O TRE-AM também analisa imagens manipuladas e conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial, incluindo possíveis deepfakes. A ferramenta auxilia a equipe a fazer uma triagem inicial e identificar quais casos precisam de verificação mais detalhada.
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Inteligência artificial não decide sozinha o que é falso
Apesar do uso de inteligência artificial, a GuaIA não determina sozinha se uma publicação é verdadeira ou falsa. O resultado apresentado pelo sistema serve como apoio à análise dos técnicos do tribunal, que avaliam o grau de desinformação e de possível ilicitude de cada conteúdo.
A partir desses dados, a equipe analisa o contexto, verifica a informação e avalia o possível impacto sobre o processo eleitoral. Quando são encontrados indícios de irregularidade na propaganda eleitoral, o caso pode resultar na formalização de uma Notícia de Irregularidade em Propaganda Eleitoral (NIP) e em outras providências previstas pela Justiça Eleitoral, conforme as características e a gravidade da ocorrência.
A GuaIA foi desenvolvida pelo Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (INF/UFG), em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), e também é utilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
