Há alguns dias, o lançamento do primeiro trailer da série “Harry Potter”, que vai estrear ainda este ano na HBO, parou a internet, com todo mundo comentando sobre a produção que vai adaptar os livros de J.K. Rowling em temporadas com vários episódios.
A reação foi majoritariamente positiva, porém algumas pessoas ressaltaram alguns pontos interessantes: Afinal, não é meio cedo para uma nova versão de “Harry Potter”, sendo que os filmes produzidos entre 2001 e 2011 ainda são recentes e continuam muito populares? Além disso, pelo que se vê no trailer, o visual não está muito parecido com o dos filmes? Questionamentos como esses levaram alguns internautas a se perguntar sobre se esse projeto vai de fato trazer uma nova perspectiva e interesse para a saga do bruxo, ou se parece apenas mais uma forma do estúdio ganhar dinheiro com a propriedade intelectual.
O fato é que, seja como for, muita gente vai assistir a essa série e o HBO Max vai ganhar muitos assinantes por causa dela. Afinal, “Harry Potter” ainda mobiliza muitos fãs e o grande público, como um legítimo fenômeno cultural. Com o tempo, continuações e refilmagens no cinema se tornaram comuns e as pessoas se acostumaram com elas. Mas há um porém aí: Hoje em dia elas não são mais garantia de sucesso como costumavam ser há alguns anos…
O domínio das continuações e remakes
Já faz tempo que Hollywood se confia nas continuações e refilmagens para sustentar a indústria. Em 2025, “Lilo & Stitch” (versão live-action de uma animação, tecnicamente um remake), “Zootopia 2” (sequência), “Avatar: Fogo e Cinzas” (sequência), “Jurassic World: Recomeço” (sequência), todos ficaram entre as maiores bilheterias do ano.
No entanto, há algumas observações a serem feitas aí. O terceiro “Avatar”, por exemplo, já arrecadou nas bilheterias US$ 1 bilhão a menos que o capítulo anterior, “Avatar: O Caminho da Água”, lançado em 2022. O aguardado “Wicked: Parte 2” decepcionou e terminou a carreira no cinemas com metade do valor arrecadado pela primeira parte. E títulos de super-heróis, que antes levavam multidões aos cinemas, ou foram sucessos moderados como no caso de “Superman”; ou verdadeiras decepções, como os lançamentos do Marvel Studios: “Capitão América: Admirável Mundo Novo”, “Thunderbolts” e “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”.
Já algumas produções originais, não baseadas em nada pré-existente como livros, HQs, games e outros filmes, se deram bem e foram alguns dos títulos mais falados do ano: “Pecadores”, “F1”, “A Hora do Mal”.
E neste começo de 2026, um dos maiores sucessos do ano já é o filme “Devoradores de Estrelas”, que não é nem continuação nem refilmagem: É baseado num livro, e hoje em dia o investimento do estúdio de quase US$ 200 milhões nessa produção é vista como arriscada, mas o risco valeu a pena.
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Franquias demonstram cansaço
A maior franquia de Hollywood em todos os tempos, os filmes do Universo Marvel, está com problemas para se reconectar com o público desde o climático “Vingadores: Ultimato” em 2019. Claro, houve sucessos da Marvel desde então como “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” (2021) e “Deadpool & Wolverine” (2024), mas foram a exceção e não a regra. Resta ao estúdio a esperança com o novo “Vingadores” no final deste ano, para voltar a empolgar o público.
Outras franquias que estão em baixa são a interminável saga “Velozes e Furiosos”, cujo últimos capítulos tiveram bilheterias decrescentes; e “Star Wars”, que não tem um filme lançado nos cinemas desde 2019: este ano a saga retorna às telonas com “O Mandaloriano e Grogu”.
Público quer originalidade?
É cedo para dizer que continuações não empolgam mais as plateias: Afinal, ainda teremos várias delas sendo lançadas nos cinemas e nos streamings nos próximos anos, incluindo a nova versão de “Harry Potter”. As grandes franquias ainda vão continuar por aí.
Mas é certo que ocorre hoje uma guinada para algumas histórias mais originais, e nesse cenário o boca-a-boca, seja ao vivo ou online, tem grande importância e muitas vezes serve como fator decisivo para as pessoas escolherem se vão ao cinema ou se esperam para ver nos streamings. “Harry Potter” com certeza será um sucesso, mas mesmo nesse caso as conversas online em torno da série poderão ajudar, ou prejudicar, sua receptividade.
Mesmo assim, espera-se que talvez num futuro próximo a indústria possa se dirigir para um equilíbrio: Continuações sempre existirão e serão até necessárias para o ecossistema de negócios dos cinemas e streamings, mas é sempre bom ser surpreendido e dar uma chance para algo inovador e diferente.