O produtor de cinema Luiz Carlos Barreto faleceu na madrugada desta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro. Ele tinha 98 anos e a morte foi anunciada pela filha, a produtora Paula Barreto.
Luiz Carlos estava internado desde segunda-feira (20/7) no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. Há dois anos, após sofrer um acidente, ele havia ficado paraplégico, e sua condição de saúde se agravou nos últimos meses.
Ele deixa a esposa, a também produtora Lucy Barreto, e os filhos Paula, produtora, e Bruno, cineasta, além de netos.
Trajetória profissional
Luiz Carlos Barreto nasceu em Sobral, no interior do Ceará, em 1928. Na adolescência, começou a trabalhar como jornalista e, no fim dos anos 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como repórter e fotojornalista no jornal O Cruzeiro.
O trabalho na imprensa o levou a se tornar correspondente na França, onde passou a estudar cinema e a frequentar estúdios de filmagem. De volta ao Brasil, conheceu os cineastas Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, com quem trabalhou como diretor de fotografia no clássico “Vidas Secas” (1963).
Em seguida, fundou, ao lado da esposa Lucy Barreto, a produtora L.C. Barreto, responsável por parte significativa de sua trajetória no audiovisual nacional.
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Principais produções
A L.C. Barreto esteve à frente de filmes marcantes do cinema brasileiro, entre eles “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (1965), “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1969), estes dois últimos dirigidos por Glauber Rocha.
A produtora também assinou “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1971) e “Memórias do Cárcere” (1984), de Nelson Pereira dos Santos, além de “Bye Bye Brasil” (1979), de Cacá Diegues.
Entre os trabalhos mais conhecidos está “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), baseado na obra de Jorge Amado, que por décadas foi o maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro. O filme teve cerca de 11 milhões de espectadores no país e projetou a atriz Sonia Braga internacionalmente.
Nos anos 1990, durante a retomada do cinema nacional, Barreto produziu “O Quatrilho” (1995), de Fábio Barreto, e “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, ambos indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Conhecido como “Barretão”, Luiz Carlos Barreto produziu cerca de 70 filmes ao longo de sete décadas de atividade no cinema brasileiro.
