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Relançamentos no cinema: filmes antigos se tornam opção para levar o público de volta à sala escura

Todos os números comprovam: as pessoas estão indo menos aos cinemas. Em 2019, último ano antes da pandemia de COVID-19, a bilheteria mundial ultrapassou a marca dos US$ 42.5 bilhões, de acordo com a Comscore, marcando assim um novo auge para a indústria cinematográfica. Em 2023, porém, o valor ficou bem atrás, em US$ 33.9 bilhões, em dados divulgados pela Gower Street Analytics.

No Brasil, a situação até melhorou em 2024: segundo dados da Ancine (Agência Nacional de Cinema), 121,08 milhões de pessoas passaram pelas salas de cinema, quase o dobro do número registrado em 2023. O número de salas também aumentou, chegando a 3.509. Ainda assim, a quantidade de frequentadores das salas de cinema permanece abaixo do nível pré-pandêmico. Em 2019, o Brasil registrou mais de 172 milhões de espectadores.

A pandemia acelerou um processo que já estava em curso. Hoje em dia, com todas as comodidades dos streamings e a qualidade das TVs e sistemas de som domésticos, muita gente não se sente mais motivada a sair da casa para conferir filmes no cinema. Além disso, o preço dos ingressos e a falta de educação de muitos espectadores também são fatores que mantém boa parte do público afastado das salas.

Porém, uma arma tem se tornado cada vez mais frequente para trazer público de volta aos cinemas: os relançamentos de clássicos e sucessos recentes.


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Relançamentos: tendência que veio para ficar

No momento de publicação deste texto, está em cartaz nos cinemas brasileiros o Ghibli Fest, com a exibição de 22 filmes do estúdio japonês de animação que conquistou o mundo. A mostra inclui clássicos como “A Viagem de Chihiro”, “Meu Amigo Totoro”, “Nausicaä Do Vale Do Vento” e outros sucessos, e vai continuar em 2026, trazendo mais filmes. É uma grande oportunidade para crianças e adultos experimentarem obras encantadoras premiadas em todo o mundo e que entraram para a história do cinema.

Poucas semanas antes, “Toy Story”, o filme original de 1995, voltou aos cinemas num relançamento comemorativo do aniversário de 30 anos. Marmanjos com certeza levaram suas crianças para ver o filme na telona, mesmo ele estando disponível no streaming do Disney +.

Só este ano, tivemos relançamentos de “Interestelar”, “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”, “Seven: Os Sete Crimes Capitais”, a saga “Invocação do Mal”, “Hannah Montana: O Filme”, dos nacionais “Iracema: Uma Transa Amazônica” e “Saneamento Básico: O Filme”, e dos clássicos cultuados “Paris, Texas” e “Cidade dos Sonhos”. Ainda devem voltar aos cinemas, nos próximos meses, o clássico “Tubarão”, na sua comemoração de 50 anos, e a animação “A Noiva Cadáver”, que está celebrando aniversário de 20 anos.

E esses relançamentos estão fazendo sucesso: em janeiro, “Interestelar” de Christopher Nolan levou novas 209 mil pessoas aos cinemas, segundo os dados do Comscore liberados na época. Arrecadou R$ 4,33 milhões e estreou em 4º lugar naquela semana. Um filme de 2014 levou mais pessoas aos cinemas do que as estreias da época, “Chico Bento e Goiabeira Maraviósa” (174 mil pessoas) e “Babygirl” (62,35 mil pessoas), por exemplo. O relançamento foi tão bem-sucedido que a distribuidora trouxe “Interestelar” de volta aos cinemas de novo ainda em 2025, no final de agosto.

Já “Star Wars: Episódio III” voltou aos cinemas para celebrar seu 20º aniversário no final de semana de 24 até 27 de abril, onde levou 93 mil pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 2,35 milhões por aqui.

Relançamentos de filmes na telona não é uma tendência atual: vale lembrar, por exemplo, da programação do Clássicos Cinemark, que 10 anos atrás já promovia a exibição de filmes antigos para plateias que não tiveram a oportunidade de verem obras como “O Poderoso Chefão” ou “O Exorcista” nos cinemas. O clássico do terror, inclusive, foi relançado no começo dos anos 2000 em todo o mundo, numa nova versão com 10 minutos de cenas inéditas.

O que explica a tendência de relançamentos?

Por que muitas pessoas estão saindo de casa para ver filmes clássicos ou antigos, vários deles disponíveis nos streamings? Ora, a experiência da sala escura é o diferencial.

Mesmo com todas as comodidades modernas, ver um filme no cinema ainda é a melhor forma de ter a experiência de uma obra cinematográfica. É quando se pode emergir de fato na história e esquecer, por algumas horas, das distrações e problemas do dia-a-dia, e experimentá-la junto com outras pessoas também imersas adiciona à experiência.

Além disso, a nostalgia da cultura atual também contribui para isso. Pais e mães que hoje levam seus filhos para ver “Toy Story” eram crianças quando o filme saiu pela primeira vez, e querem experimentar com suas famílias a história que foi especial para eles durante as suas infâncias.

Mas acima de tudo, o fator financeiro também precisa ser levado em conta. Num cenário de mudança, o setor do cinema sempre busca se reinventar para atrair o público. E se os filmes atuais não estão parecendo mais tão atrativos, a experiência da sala escura vai procurar se manter relevante com exibições especiais e o retorno de velhos clássicos, enquanto eles estiverem rendendo dinheiro.

Afinal, clássicos não saem de moda.

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Todos os números comprovam: as pessoas estão indo menos aos cinemas. Em 2019, último ano antes da pandemia de COVID-19, a bilheteria mundial ultrapassou a marca dos US$ 42.5 bilhões, de acordo com a Comscore, marcando assim um novo auge para a indústria cinematográfica. Em 2023, porém, o valor ficou bem atrás, em US$ 33.9 bilhões, em dados divulgados pela Gower Street Analytics.

No Brasil, a situação até melhorou em 2024: segundo dados da Ancine (Agência Nacional de Cinema), 121,08 milhões de pessoas passaram pelas salas de cinema, quase o dobro do número registrado em 2023. O número de salas também aumentou, chegando a 3.509. Ainda assim, a quantidade de frequentadores das salas de cinema permanece abaixo do nível pré-pandêmico. Em 2019, o Brasil registrou mais de 172 milhões de espectadores.

A pandemia acelerou um processo que já estava em curso. Hoje em dia, com todas as comodidades dos streamings e a qualidade das TVs e sistemas de som domésticos, muita gente não se sente mais motivada a sair da casa para conferir filmes no cinema. Além disso, o preço dos ingressos e a falta de educação de muitos espectadores também são fatores que mantém boa parte do público afastado das salas.

Porém, uma arma tem se tornado cada vez mais frequente para trazer público de volta aos cinemas: os relançamentos de clássicos e sucessos recentes.


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Relançamentos: tendência que veio para ficar

No momento de publicação deste texto, está em cartaz nos cinemas brasileiros o Ghibli Fest, com a exibição de 22 filmes do estúdio japonês de animação que conquistou o mundo. A mostra inclui clássicos como “A Viagem de Chihiro”, “Meu Amigo Totoro”, “Nausicaä Do Vale Do Vento” e outros sucessos, e vai continuar em 2026, trazendo mais filmes. É uma grande oportunidade para crianças e adultos experimentarem obras encantadoras premiadas em todo o mundo e que entraram para a história do cinema.

Poucas semanas antes, “Toy Story”, o filme original de 1995, voltou aos cinemas num relançamento comemorativo do aniversário de 30 anos. Marmanjos com certeza levaram suas crianças para ver o filme na telona, mesmo ele estando disponível no streaming do Disney +.

Só este ano, tivemos relançamentos de “Interestelar”, “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”, “Seven: Os Sete Crimes Capitais”, a saga “Invocação do Mal”, “Hannah Montana: O Filme”, dos nacionais “Iracema: Uma Transa Amazônica” e “Saneamento Básico: O Filme”, e dos clássicos cultuados “Paris, Texas” e “Cidade dos Sonhos”. Ainda devem voltar aos cinemas, nos próximos meses, o clássico “Tubarão”, na sua comemoração de 50 anos, e a animação “A Noiva Cadáver”, que está celebrando aniversário de 20 anos.

E esses relançamentos estão fazendo sucesso: em janeiro, “Interestelar” de Christopher Nolan levou novas 209 mil pessoas aos cinemas, segundo os dados do Comscore liberados na época. Arrecadou R$ 4,33 milhões e estreou em 4º lugar naquela semana. Um filme de 2014 levou mais pessoas aos cinemas do que as estreias da época, “Chico Bento e Goiabeira Maraviósa” (174 mil pessoas) e “Babygirl” (62,35 mil pessoas), por exemplo. O relançamento foi tão bem-sucedido que a distribuidora trouxe “Interestelar” de volta aos cinemas de novo ainda em 2025, no final de agosto.

Já “Star Wars: Episódio III” voltou aos cinemas para celebrar seu 20º aniversário no final de semana de 24 até 27 de abril, onde levou 93 mil pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 2,35 milhões por aqui.

Relançamentos de filmes na telona não é uma tendência atual: vale lembrar, por exemplo, da programação do Clássicos Cinemark, que 10 anos atrás já promovia a exibição de filmes antigos para plateias que não tiveram a oportunidade de verem obras como “O Poderoso Chefão” ou “O Exorcista” nos cinemas. O clássico do terror, inclusive, foi relançado no começo dos anos 2000 em todo o mundo, numa nova versão com 10 minutos de cenas inéditas.

O que explica a tendência de relançamentos?

Por que muitas pessoas estão saindo de casa para ver filmes clássicos ou antigos, vários deles disponíveis nos streamings? Ora, a experiência da sala escura é o diferencial.

Mesmo com todas as comodidades modernas, ver um filme no cinema ainda é a melhor forma de ter a experiência de uma obra cinematográfica. É quando se pode emergir de fato na história e esquecer, por algumas horas, das distrações e problemas do dia-a-dia, e experimentá-la junto com outras pessoas também imersas adiciona à experiência.

Além disso, a nostalgia da cultura atual também contribui para isso. Pais e mães que hoje levam seus filhos para ver “Toy Story” eram crianças quando o filme saiu pela primeira vez, e querem experimentar com suas famílias a história que foi especial para eles durante as suas infâncias.

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Afinal, clássicos não saem de moda.

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Ivanildo Pereira
Ivanildo Pereira
Repórter de política na Rede Onda Digital, jornalista formado pela Faculdade Martha Falcão Wyden. Política, economia e artes são seus maiores interesses.

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