A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, repudiou, por meio de nota nesta segunda-feira (24) as declarações do candidato à Presidência Renan Santos (Missão) durante o debate da Band, no domingo (23). No documento, Janja classificou os comentários como de caráter pessoal e depreciativo e destacou que o adversário político recorre à misoginia para tentar atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante a transmissão, ao comentar a ausência de Lula no encontro, Renan Santos fez menção à primeira-dama e disse que o presidente havia ficado com “aquela Janja” e que encontraria “companhias melhores” se estivesse presente. Em outro trecho do debate, o candidato declarou: “Ou está bêbado ou está com a Janja. Melhor ficar bêbado”.
Em resposta, Janja ressaltou que não ocupa posição de candidata no pleito e que não estava presente na ocasião para exercer o direito de resposta:
“Situações como essa não podem ser normalizadas. O candidato atacou de forma pessoal e depreciativa uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão.”
A primeira-dama rebateu a tese de que a citação à sua convivência com o presidente configurasse apenas um debate programático:
“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de pena está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher como ferramenta misógina para atacar um adversário político.”
Leia mais
Zema culpa Janja por “censura” ao Discord
Renan Santos chama eleitores de Lula de canalhas e leva invertida de Augusto Cury
Histórico e desdobramentos jurídicos
Na mesma manifestação, Janja associou a postura do candidato a episódios anteriores envolvendo declarações sobre mulheres, resgatando um vídeo gravado em 2017 pelo então ativista. Segundo a nota, as falas passadas e a conduta no debate demonstram um “padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres”. Em entrevistas recentes ao longo da campanha, o candidato declarou que a fala de 2017 fora uma “piada infeliz” da qual se arrependeu.
O episódio ultrapassou o campo das declarações públicas e chegou à esfera jurídica. O candidato ao governo da Paraíba Olímpio Rocha (PSOL) protocolou uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE). O documento solicita a apuração do caso por possível conduta de injúria eleitoral e verificação do cumprimento do artigo 243 do Código Eleitoral, que veda propagandas de cunho depreciativo à condição feminina. A análise quanto à abertura de procedimentos formais cabe aos órgãos competentes da Justiça Eleitoral.
Contraponto da candidatura
Em resposta à repercussão da nota, Renan Santos publicou um posicionamento em vídeo negando a prática de misoginia. O candidato sustentou que sua declaração constituiu uma contestação política dirigida a uma figura pública e defendeu que a classificação desse tipo de posicionamento como agressão de gênero restringe o livre debate de ideias entre os atores políticos.
