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Coração partido: estresse emocional pode causar dor no peito?

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Coração partido: estresse emocional pode causar dor no peito?
(Foto: Reprodução/internet)

Dor no peito está entre as queixas mais comuns nos serviços de emergência, mas nem sempre indica infarto. Em alguns casos, o sintoma está ligado a uma resposta do organismo a emoções intensas, como estresse, luto ou medo, capazes de provocar alterações temporárias no funcionamento do coração.

Quem nunca sentiu o peito apertar após uma notícia ruim ou um momento de grande tensão? A ciência explica: em situações de estresse emocional intenso, o corpo libera hormônios como adrenalina e noradrenalina. Essas substâncias aceleram os batimentos cardíacos, elevam a pressão arterial e podem interferir diretamente no músculo do coração, provocando dor no peito, falta de ar e mal-estar.

A síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição cardíaca transitória desencadeada por estresse emocional ou físico intenso, simulando sintomas de infarto como dor no peito e falta de ar.

O que é a síndrome do coração partido ?

É uma disfunção súbita e temporária do músculo cardíaco. Ela costuma ser desencadeada por choques emocionais ou físicos intensos, como a perda de um ente querido, separações, conflitos familiares ou notícias impactantes.

Associações científicas, como a American Heart Association (AHA) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), reconhecem-na como uma cardiopatia adquirida primária, responsável por 1% a 2% dos casos de síndrome coronariana aguda, causada por excesso de adrenalina que enfraquece temporariamente o ventrículo esquerdo.

Os sintomas se assemelham muito aos de um infarto: dor no peito, falta de ar, alterações no eletrocardiograma e elevação das enzimas cardíacas. A principal diferença é que, na maioria dos casos, não há obstrução das artérias coronárias. Com acompanhamento médico, a função do coração geralmente se recupera em dias ou semanas.

O que a ciência já comprovou ?

Estudos científicos mostram que emoções intensas ativam áreas do cérebro relacionadas ao medo e ao estresse, como a amígdala. Pesquisas com exames de neuroimagem indicam que essa ativação excessiva está associada a um maior risco de eventos cardiovasculares.

Ou seja, não se trata de exagero ou impressão: emoções podem gerar efeitos físicos reais no coração, com impacto direto sobre seu funcionamento.

No Brasil, a SBC iniciou em 2024 um estudo inédito para mapear seu perfil epidemiológico, visando aprimorar diagnósticos, tratamentos e políticas públicas, destacando sua raridade e potencial fatalidade em casos graves.

Quem está mais vulnerável ?

A síndrome do coração partido é mais frequente em mulheres acima dos 50 anos, especialmente após a menopausa, mas pode atingir qualquer pessoa, inclusive homens e indivíduos mais jovens.

Entre os sintomas mais comuns estão:
  • aperto ou dor intensa no peito
  • falta de ar
  • tontura
  • náuseas
  • cansaço extremo
  • sensação de peso no peito
Na maioria dos casos, os sinais surgem logo após um evento emocional marcante. A SBC enfatiza prevenção via controle de estresse para reduzir incidências.

Emoções, depressão e saúde do coração

Estudos populacionais, como os do ELSA-Brasil, apontam uma associação consistente entre depressão e maior risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Pesquisadores também observaram que pessoas em uso de antidepressivos podem apresentar alterações na frequência cardíaca, indicando uma relação direta entre saúde emocional e sistema cardiovascular.

Nem toda dor no peito relacionada à emoção significa síndrome do coração partido. Crises de ansiedade e pânico também podem provocar aperto no peito, taquicardia e falta de ar, sem causar lesão direta no coração  embora o sofrimento seja real.

Ainda assim, o alerta é fundamental, dor súbita e intensa no peito, associada a falta de ar, suor frio, náuseas ou irradiação para braço e mandíbula, exige atendimento médico imediato. Apenas exames clínicos conseguem diferenciar um infarto de uma resposta ao estresse emocional.