Todo início de ano costuma ser marcado por reflexões pessoais e pela definição de novas metas. Entrar em forma, melhorar a alimentação, praticar atividades físicas, cuidar da saúde mental e realizar exames de rotina estão entre as promessas mais frequentes feitas pelos brasileiros. No entanto, apesar da boa intenção, transformar essas resoluções em práticas consistentes ao longo do ano ainda representa um grande desafio para muitas pessoas.
De acordo com a psicóloga Lorena Nery, esse comportamento está diretamente ligado ao momento simbólico de renovação que o Ano Novo representa.
“O final do ano funciona como um marcador temporal que cria a ilusão de uma página em branco. Psicologicamente, o simbolismo do Réveillon nos dá a sensação de que podemos nos desvincular de erros passados e recomeçar do zero. Esse otimismo coletivo é poderoso, mas também perigoso, e precisamos ficar atentos, porque ele nos impulsiona a fazer promessas baseadas na empolgação do momento, e não na realidade da nossa rotina”, explicou.
Para a especialista, muitas metas acabam não saindo do papel porque são criadas sob pressão social ou emocional, sem um planejamento realista.
“No entusiasmo da virada, ignoramos que o eu de janeiro continuará tendo os mesmos compromissos, o mesmo cansaço e os mesmos velhos hábitos de dezembro. Quando a rotina volta ao normal e a dopamina da novidade diminui, metas muito vagas ou ambiciosas demais acabam gerando frustração”, disse.
Uma pesquisa realizada pelo Ibope mostra que mais de 70% dos brasileiros afirmam priorizar metas relacionadas à saúde e à qualidade de vida ao pensar nas resoluções de Ano Novo. O dado evidencia uma preocupação crescente com hábitos mais saudáveis, como a prática regular de exercícios, uma alimentação equilibrada, a melhora da qualidade do sono e a realização de check-ups médicos.
Esse movimento acompanha uma tendência global de valorização do bem-estar físico e mental. No Brasil, isso se reflete no aumento da procura por academias, na adesão a esportes coletivos, na busca por acompanhamento médico preventivo e também na maior atenção à saúde mental.
