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Uso excessivo de descongestionante nasal causa vício; especialista alerta para os riscos

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Uso excessivo de descongestionante nasal causa vício; especialista alerta para os riscos
(Foto: Rede Onda Digital)

Os remédios à base de cloridrato de nafazolina sempre foram amplamente conhecidos. O principal efeito desses medicamentos é o de desentupir o nariz ao contrair os vasos sanguíneos da mucosa nasal, aliviando o inchaço e a congestão. A rápida sensação de alívio, no entanto, acabou resultando no uso desenfreado e indiscriminado desses remédios.

Desde 2013, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta sobre o uso da nafazolina em crianças. No alerta emitido em 11 de julho daquele ano, o órgão especificou que o uso do medicamento pode causar náusea, cefaleia, hipertensão, hipotensão, depressão do sistema nervoso central com diminuição acentuada da temperatura corporal, bradicardia, sudorese, sonolência e até coma.

Com o passar dos anos, novos estudos sobre a dependência do cloridrato de nafazolina foram desenvolvidos por universidades. Embora a Anvisa não tenha emitido alertas específicos para o uso em adultos, especialistas apontam que, nos últimos anos, o consumo do medicamento se tornou excessivo, sem que os usuários considerem os riscos à saúde, tanto a curto quanto a longo prazo.

A reportagem da Rede Onda Digital consultou cerca de 15 pessoas que utilizam nafazolina, e nenhuma soube explicar o real motivo do uso contínuo do remédio. A maioria afirmou apenas que o medicamento ajuda a desentupir as vias nasais em dias frios. No entanto, nenhuma delas procurou um especialista para identificar a causa do congestionamento nasal.

O doutor Rafael Siqueira de Carvalho, médico otorrinolaringologista, explicou que o uso indiscriminado do medicamento está diretamente ligado à sensação de “alívio imediato” e prolongado. “A maioria das pessoas acaba consumindo o produto sem saber dos riscos que estão envolvidos”, alerta o especialista, que também aponta como fator preocupante o fato de os medicamentos à base de cloridrato de nafazolina serem vendidos a preços acessíveis e sem necessidade de prescrição ou controle médico.

Rafael Siqueira de Carvalho – Divulgação

Você usa porque precisa ou porque está viciado?

O médico também alerta que o efeito rápido da nafazolina pode gerar dependência química. Segundo o doutor Rafael, há sinais claros que indicam quando a pessoa já desenvolveu dependência do medicamento.


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“A pessoa percebe que já depende da medicação, por exemplo, quando precisa usá-la todos os dias para conseguir dormir. Algumas pessoas não conseguem sair de casa sem levar o frasco do vasoconstritor no bolso. Apenas o fato de sair de casa, colocar a mão no bolso e perceber que está sem o remédio já pode gerar uma crise de ansiedade, acompanhada de sintomas de obstrução nasal”, explica o otorrinolaringologista.

Além da dependência, o cloridrato de nafazolina também pode provocar complicações cardíacas. O especialista explica que os medicamentos vasoconstritores são análogos da adrenalina, aumentando o trabalho do coração e causando a contração dos vasos sanguíneos, o que gera a sensação de desobstrução nasal.

No entanto, existe o chamado efeito rebote. A nafazolina atua diretamente no corneto nasal; uma estrutura esponjosa localizada no interior do nariz, que pode aumentar de tamanho conforme a frequência de uso do medicamento. Quanto maior o corneto nasal, maiores tendem a ser as doses necessárias para obter o mesmo efeito.

A curto prazo, o uso da nafazolina pode causar arritmias cardíacas e sangramentos nasais, que podem ser de difícil controle. O efeito vasoconstritor também altera o calibre dos vasos sanguíneos, podendo, em casos mais graves, provocar infartos cardíacos.

Como largar o vício?

De acordo com o doutor Rafael Siqueira de Carvalho, o tratamento da dependência começa quando o paciente decide tratar a doença que causa a obstrução nasal e que levou ao uso contínuo da nafazolina.

“Há pessoas que sofrem com desvio de septo, outras com rinite alérgica ou hipertrofia de adenoide. Por isso, o tratamento é sempre individualizado. É fundamental procurar um especialista para que ele identifique a causa da obstrução nasal e indique o tratamento adequado”, orienta.