Você já teve a sensação de enxergar melhor com um dos olhos? Essa percepção é comum e tem explicação científica. Todas as pessoas possuem um olho dominante, que é aquele priorizado pelo cérebro para processar informações visuais e alinhar os objetos no campo de visão.
Segundo o oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira, em entrevista à CNN Brasil, o olho dominante não é necessariamente o que enxerga melhor em termos de grau, mas aquele que o cérebro prefere usar. Trata-se de uma característica neurológica natural, presente mesmo quando os dois olhos têm a mesma acuidade visual.

O especialista explica que identificar o olho dominante é fundamental em várias situações clínicas. Em cirurgias refrativas, por exemplo, essa informação é decisiva no planejamento da monovisão, técnica em que um olho é corrigido para enxergar de longe e o outro para perto. O mesmo vale para a adaptação de lentes de contato multifocais, garantindo mais conforto e melhores resultados visuais.
“Além disso, na prática oftalmológica, conhecer o olho dominante pode ser determinante para personalizar diagnósticos e tratamentos, ajudando a entender como o paciente compensa eventuais dificuldades visuais“, afirma.
Em entrevista ao Diário de Jacareí, o oftalmologista Fabio Pimenta, do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One, reforça que o conhecimento sobre o olho dominante também é essencial antes de cirurgias de miopia, hipermetropia, astigmatismo e catarata. Segundo ele, em procedimentos como a cirurgia de estrabismo, geralmente o olho dominante é preservado, enquanto o complementar é operado, salvo situações específicas.

Todos têm olho dominante, mas há exceções raras. De acordo com Tiago Ferreira, algumas pessoas apresentam dominância alternante, quando o cérebro não estabelece uma preferência fixa e pode variar conforme a tarefa. Esse quadro pode ocorrer em indivíduos com visão binocular muito equilibrada ou após cirurgias, traumas e alterações neurológicas.
“Identificar o olho dominante é fundamental antes de cirurgias para correção da miopia, da hipermetropia, do astigmatismo ou da catarata, pois ajuda a planejar técnicas como a monovisão, que corrige um dos olhos para perto e outro para longe, de acordo com a necessidade do paciente”, afirma.
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Como fazer um teste simples para saber qual o olho dominante
Para descobrir qual é o seu olho dominante, especialistas indicam um teste simples que pode ser feito em casa.
“Junte os polegares e os indicadores das mãos para formar um triângulo. Estenda os braços e olhe por meio do triângulo para um objeto distante, com os dois olhos abertos. Em seguida feche alternadamente cada olho. Aquele que mantiver o objeto centralizado é o dominante”, diz Pimenta.
Ao realizar o teste de olho dominante, é importante observar alguns cuidados para garantir a precisão do resultado.
“O ambiente deve ser bem iluminado para evitar interferências visuais, e o foco deve estar completamente no objeto-alvo, sem distrações”, explica Tiago.
Passo a passo:
- Estenda as mãos à frente do rosto, unindo os polegares e os indicadores para formar um pequeno triângulo;
- Escolha um objeto fixo à distância, como um interruptor, e alinhe-o dentro do triângulo com ambos os olhos abertos;
- Feche um dos olhos;
- Se o objeto permanecer visível dentro do triângulo, o olho aberto é o dominante;
- Se o objeto “sair” do triângulo, o dominante é o olho que foi fechado.
Já a segunda alternativa leva o nome de teste do buraco. Com isso:
- Pegue um papel com um furo pequeno no centro e olhe através dele para um objeto distante, mantendo ambos os olhos abertos;
- Feche alternadamente cada olho;
- O olho que mantém o objeto visível no centro do furo é o dominante.
*Com as informações da CNN Brasil e do Diário de Jacareí.