A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou o tavapadon, comercializado como Juvmo, para o tratamento de adultos com doença de Parkinson. A aprovação ocorreu em 25 de setembro de 2026, e a fabricante AbbVie prevê que o medicamento chegue às farmácias americanas em outubro.
O novo medicamento é um comprimido de uso uma vez ao dia e pode ser administrado sozinho ou em combinação com a levodopa, um dos principais medicamentos utilizados para controlar os sintomas motores do Parkinson.
A principal novidade está no mecanismo de ação. O tavapadon é um agonista parcial seletivo dos receptores de dopamina D1 e D5. Os agonistas dopaminérgicos disponíveis para Parkinson atuam predominantemente sobre outros receptores, como D2 e D3. A proposta é estimular uma via diferente relacionada à dopamina no cérebro.
O que os estudos mostraram
A aprovação foi baseada no programa de estudos clínicos de fase 3 TEMPO, que avaliou o medicamento em diferentes situações da doença.
Em um dos estudos, com pessoas com Parkinson em estágio inicial, o tavapadon apresentou melhora significativa em medidas de função motora e atividades do dia a dia em comparação com placebo. A pesquisa, publicada na JAMA Neurology, envolveu 529 participantes e avaliou doses de 5 mg e 15 mg.
Outro estudo avaliou pacientes que já utilizavam levodopa e apresentavam flutuações motoras. Nesse grupo, a associação com tavapadon aumentou o período diário no chamado estado “on”, quando os sintomas motores estão mais bem controlados, sem aumento significativo de movimentos involuntários problemáticos.
As descobertas também registraram efeitos adversos. Entre os mais frequentes estavam náusea, dor de cabeça e tontura em pacientes que utilizaram o medicamento sem levodopa. Quando associado à levodopa, também foram observados casos de discinesia, alucinações e queda de pressão ao se levantar, entre outros efeitos.
Leia mais
Mulher com Parkinson toca clarinete durante cirurgia cerebral, na Inglaterra
Autor Manoel Carlos está sob cuidados médicos após agravamento do Parkinson
Novo mecanismo não significa cura
Apesar da novidade, o tavapadon não cura o Parkinson nem interrompe a progressão da doença. Assim como os tratamentos atuais, o objetivo é controlar sintomas e melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida.
A doença ocorre quando células nervosas responsáveis pela produção de dopamina são progressivamente perdidas. A redução desse neurotransmissor afeta principalmente os circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos.
Por isso, os principais sintomas incluem tremor, lentidão dos movimentos, rigidez muscular e alterações de postura e equilíbrio. Também podem ocorrer manifestações não motoras, como alterações do sono, constipação, redução do olfato, depressão e dores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 8,5 milhões de pessoas tinham Parkinson em 2019, e dados mais recentes apontam uma prevalência global estimada em cerca de 12 milhões. A doença é progressiva e, atualmente, não existe cura, embora medicamentos, reabilitação e, em alguns casos, cirurgia possam reduzir os sintomas.
E no Brasil?
A aprovação nos Estados Unidos não significa que o medicamento já esteja disponível no Brasil.
Até o momento, não há registro do tavapadon na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que mantém uma consulta pública para verificar quais medicamentos estão regularizados no país.
Em documentos da Conitec, o tavapadon havia sido acompanhado como tecnologia em desenvolvimento para Parkinson. Na avaliação realizada antes da aprovação americana, o medicamento ainda estava em fase 3.
