A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, comentou que o governo do presidente Donald Trump não divulgou integralmente os documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein. A declaração foi feita em entrevista à BBC, durante evento em Berlim.
“Divulguem os arquivos. Eles estão enrolando”, afirmou.
Diante da declaração, a Casa Branca se manifestou afirmando que a “atual gestão já fez mais pelas vítimas do que administrações democratas anteriores”.
No início do mês, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos milhões de páginas relacionadas às investigações. Segundo o vice-procurador-geral, cerca de três milhões de documentos não foram liberados por conterem prontuários médicos, descrições explícitas de abuso infantil e informações que podem comprometer apurações em andamento. Parlamentares, no entanto, afirmam que a divulgação ainda é insuficiente.
O caso também envolve o britânico Andrew Mountbatten-Windsor, que enfrenta pressão para depor no Congresso americano sobre sua relação com Epstein. Hillary afirmou que todos devem testemunhar se forem convocados. Andrew nega irregularidades e fechou acordo extrajudicial, sem admissão de culpa, com Virginia Giuffre, que o acusou de abuso.
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Hillary e o ex-presidente Bill Clinton também foram chamados a depor. Ele deve comparecer em 27 de fevereiro, e ela, no dia anterior (26/02). Inicialmente resistentes, os dois aceitaram testemunhar após a possibilidade de abertura de processo por desacato ao Congresso. Hillary defendeu que a audiência seja pública.
“Eu só quero que seja justo. Quero que todos sejam tratados da mesma forma. Não temos nada a esconder. Pedimos por diversas vezes a divulgação integral desses arquivos. Acreditamos que a transparência é o melhor remédio.” Declarou Hillary
Bill Clinton admite ter tido contato com Epstein no passado, mas afirma ter rompido relações há cerca de duas décadas. O casal diz não ter conhecimento dos crimes cometidos pelo financista, encontrado morto em 2019 em uma prisão de Nova York. A Justiça concluiu que ele tirou a própria vida enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.
Trump, que também é citado nos documentos, nega qualquer envolvimento ilegal. Questionado, afirmou que não tem “nada a esconder” e disse ter sido investigado sem que irregularidades fossem encontradas.
O Congresso aprovou uma lei determinando a divulgação de materiais ligados ao caso. Mesmo assim, deputados defendem que memorandos internos do Departamento de Justiça também sejam tornados públicos. O episódio mantém o caso Epstein no centro do debate político em Washington e pode gerar novos desdobramentos no Congresso.
*Com informações de BBC News.