O número de mortos na avalanche de gelo, rochas e lama na fronteira entre o Nepal e o Tibete chegou a 362 nesta quinta-feira (27), enquanto um lago formado após o colapso de uma geleira pode romper nos próximos três dias e provocar novas enchentes na região. Segundo autoridades dos dois países, 1.468 pessoas continuam desaparecidas e as equipes de resgate seguem atuando nas áreas devastadas.
O desastre ocorreu na quarta-feira (26), quando uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e provocou uma enorme enxurrada de água, lama e destroços.
No Nepal, há 910 pessoas desaparecidas, das quais mais de 700 são estrangeiras. No Tibete, são 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros. Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal estão 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.
Os governos locais ainda investigam as causas da tragédia, e os números de mortos e desaparecidos são provisórios, com variação entre os órgãos responsáveis. Segundo as autoridades, as diferenças estão relacionadas aos métodos de coleta e verificação dos dados e às dificuldades de comunicação e coordenação nas áreas atingidas.
Lago formado após colapso pode se romper em três dias
Um lago formado após o colapso da geleira, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, pode se romper nos próximos três dias e provocar novas avalanches na região. O alerta foi divulgado pelo Times of India, com base em informações de autoridades chinesas.
O lago se formou perto da confluência dos rios Chhochen Khola e Purepu Tsangpo, no Nepal, segundo autoridades chinesas citadas pela imprensa estatal nesta quinta-feira. O Ministério dos Recursos Hídricos da China informou que o reservatório acumulava cerca de 2 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 800 piscinas olímpicas, até a manhã desta quinta, e já estava transbordando.
A previsão é que outros 3 milhões de metros cúbicos de água cheguem ao lago nos próximos três dias. Com o aumento do volume, cresce o risco de rompimento da barreira natural, informou a emissora estatal CCTV.
As autoridades chinesas afirmaram que monitoram o lago continuamente. Também realizam simulações de possíveis enchentes e avaliações de risco para se preparar para um eventual rompimento e orientar as operações de resgate.
O possível rompimento do lago aumenta o risco para comunidades que já foram afetadas pela primeira enchente e pode dificultar ainda mais o trabalho das equipes de resgate.
Leia mais
Avalanche no Nepal deixa 160 mortos e centenas de desaparecidos
Vídeo: Avalanche no Nepal deixa 9 mortos e 384 desaparecidos
Causa da avalanche é atribuída a colapso de geleira
A principal hipótese para a origem da tragédia é o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung, que tem mais de 7.000 metros de altura. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a apontar que havia ocorrido um terremoto na região, mas posteriormente esclareceu que o tremor havia sido provocado pelo próprio colapso da geleira.
Após o deslizamento, a avalanche desceu pela parte mais alta da montanha, arrastando rochas, gelo e água armazenada em reservatórios naturais. Em seguida, todo esse volume chegou ao canal do rio Lhende Khola. A enchente provocada pela avalanche avançou sobre áreas povoadas.
