O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña, encerrando antecipadamente seu mandato, iniciado em 2023. A destituição ocorreu após o escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que teve as atividades interrompidas pelo Banco Central paraguaio e deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro depositado.
Peña foi condenado no julgamento político por mau desempenho de suas funções. Com a decisão, ele perdeu o cargo de presidente e também o direito à cadeira vitalícia no Senado, benefício previsto na Constituição paraguaia para ex-presidentes que deixam o mandato regularmente.
A perda dessa prerrogativa também retira a imunidade parlamentar associada à função, permitindo que o ex-presidente responda a eventuais processos na Justiça ordinária. Ele é alvo de denúncias relacionadas a suspeitas de enriquecimento ilícito, tráfico de influência e favorecimento de interesses privados.
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Crise bancária provocou queda do governo
O processo de impeachment foi instaurado após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, na terça-feira (3). A autoridade monetária identificou problemas nos índices de solvência da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
O banco, pertencente ao Grupo Vázquez, tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,5 bilhões) em recursos públicos. Entre os valores estavam depósitos do Instituto de Previdência Social do Paraguai.
Peña foi acionista do grupo controlador até março de 2025. A oposição apontou possível conflito de interesses, manipulação regulatória e favorecimento da instituição financeira, além de questionar a destinação de recursos públicos ao banco.
O congelamento das contas afetou quase metade da população paraguaia, estimada em 6,4 milhões de habitantes, e provocou protestos em diferentes regiões do país.
Vice-presidente deve assumir o governo
Antes da conclusão do processo, Peña havia anunciado que renunciaria ao cargo. A oposição, entretanto, defendia que o impeachment fosse concluído para impedir que ele deixasse a Presidência com as garantias jurídicas previstas para ex-presidentes.
Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do Executivo paraguaio. Uma tentativa de impeachment contra ele havia sido rejeitada pela Câmara dos Deputados na quinta-feira (5).
A crise também provocou mudanças em órgãos públicos e no setor financeiro. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo, enquanto executivos do Ueno Bank passaram a ser investigados por suspeitas de irregularidades na administração da instituição.
