A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), a mais votada de São Paulo, é alvo de representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) por transfobia e violência política de gênero contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL). A representação foi apresentada na segunda-feira (5/10) pela também deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP.
O motivo foi uma publicação de Campopiano no X em que ela se refere a Erika como homem biológico. No post, a deputada eleita pergunta: “Oi @ErikakHilton Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”.
Oi @ErikakHilton
Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs
— Eduarda Campopiano (@DudaCampopiano) October 5, 2026
Segundo a representação, o episódio se enquadra nos crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, por ser um ataque à identidade de gênero de uma mulher que exerce mandato eletivo. Favero pede ao MPSP a instauração de inquérito policial e a responsabilização de Campopiano.
Trajetória de Campopiano
A fala ocorreu após as eleições de domingo (4). Campopiano foi a mais votada para o legislativo estadual, com 1.956.238 votos. Erika foi reeleita à Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos, na segunda colocação, atrás de Lucas Pavanato (PL), que teve 3.038.438.
Leia mais
Bois Garantido e Caprichoso declaram apoio a Lula no 2º turno
Michel Temer diz que urnas pedem mudança e cita Flávio
Maria Eduarda Campopiano Monteiro tem 23 anos e é natural de Campinas, no interior paulista. Ganhou projeção a partir de 2021, ao manifestar posições políticas conservadoras nas redes sociais.
Filiada ao Partido Liberal, foi comentarista do programa Linha de Frente, da Jovem Pan, em 2023, onde analisava pautas políticas. Em 2024, elegeu-se vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.589 votos, na quarta colocação entre os mais votados.
A parlamentar se posiciona contra pautas e candidatos de esquerda em publicações e manifestações públicas. Defende a criminalização do aborto e se autointitula a inimiga número um das feministas.
Após a eleição, a deputada eleita virou alvo de críticas por defender que “a natureza do homem é ser violento”. Além disso, em uma de suas falas, Campopiano também alega que feminicídio não existe.
