A pré-candidata ao Governo do Amazonas pelo PL, Maria do Carmo Seffair, manifestou apoio público à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em meio à crise interna envolvendo integrantes da família Bolsonaro. A empresária comentou uma publicação de Michelle Bolsonaro nesta quarta-feira (24) e escreveu: “Coragem para mudar, conte conosco”.
O posicionamento ocorre em um momento de divergências públicas entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, que ganharam repercussão nacional nos últimos dias.
A manifestação chamou atenção porque Maria do Carmo recebeu apoio político de Flávio Bolsonaro nos últimos meses para fortalecer sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas. Em fevereiro deste ano, ela participou de uma reunião da direção nacional do PL, em Brasília, ao lado do senador, quando foram discutidas estratégias da legenda para as eleições de 2026.
Reflexos da crise no Amazonas
A manifestação ocorre em um contexto de debates internos no Partido Liberal. No Amazonas, integrantes da legenda passaram a demonstrar apoio à pré-candidatura de Wilson Lima nas eleições de 2026, em vez de defender o nome do deputado federal Capitão Alberto Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para representar o grupo bolsonarista na disputa ao Senado.
Também surgiram questionamentos dentro do partido sobre a atuação de filiados que se aproximaram de grupos políticos ligados a Wilson Lima e ao governador Roberto Cidade. Um dos casos mais recentes é o de Arnold Lucas, que deixou a pré-candidatura a deputado federal pelo PL para assumir uma secretaria no governo estadual.
Esses movimentos alimentaram especulações sobre uma possível aproximação entre PL e União Brasil nas eleições de 2026. A hipótese, porém, foi rejeitada por Maria do Carmo, que afirmou, em nota, que a decisão de Arnold Lucas representa uma escolha individual e não indica uma aliança entre os partidos.
Impacto político
Para observadores da política amazonense, a manifestação de apoio à Michelle Bolsonaro acrescenta um novo elemento às discussões internas da legenda. A ex-primeira-dama é considerada uma das principais lideranças femininas da direita brasileira e possui influência junto a segmentos conservadores e ao eleitorado evangélico.
Analistas avaliam que a continuidade das divergências públicas entre Michelle e Flávio Bolsonaro pode gerar impactos políticos dentro do partido. No entanto, não há, até o momento, pesquisas que apontem efeitos concretos da crise sobre o eleitorado.
No Amazonas, o episódio é acompanhado com atenção porque Maria do Carmo busca ampliar sua presença junto ao eleitorado feminino. Ao manifestar apoio à ex-primeira-dama durante o período de tensão interna no PL, a pré-candidata sinaliza alinhamento com uma das principais lideranças da legenda.
Estratégia
De acordo com o sociólogo e cientista político, Carlos Santiago, o apoio público de Maria do Carmo a Michelle Bolsonaro reflete uma estratégia política para ampliar sua aproximação com segmentos importantes do eleitorado, especialmente mulheres e evangélicos. Na avaliação dele, a pré-candidata busca manter a relação com Flávio Bolsonaro, que ainda possui influência dentro do PL, ao mesmo tempo em que se aproxima de Michelle, uma das figuras mais populares da direita brasileira.
“Maria do Carmo, fazendo essa leitura, entendendo que Flávio tem pontos positivos para sua pré-candidatura, tem força política, força eleitoral, mas também enfrenta resistência no eleitorado feminino e tem perdido apoio entre evangélicos, faz o movimento de não abandonar Flávio Bolsonaro, mas buscar estar próxima de Michelle Bolsonaro, que tem muita força na opinião pública, é carismática, tem uma forte penetração no eleitorado religioso e conta com simpatia do público feminino. Eleitores e eleitoras que Maria do Carmo precisa para chegar ao segundo turno das eleições de 2026”, disse à Rede Onda Digital.
Origem da divergência
A crise ganhou repercussão nacional após Michelle Bolsonaro divulgar vídeos nas redes sociais relatando divergências com Flávio Bolsonaro. Segundo a ex-primeira-dama, os dois não se falam desde o fim de 2025.
Michelle afirmou que foi tratada de forma desrespeitosa durante uma conversa telefônica relacionada a decisões políticas do partido. As declarações foram feitas por ela em publicações divulgadas nas redes sociais.
