O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, decidiu não participar do primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela TV Bandeirante, marcado para domingo (23). A campanha atribui a decisão à avaliação de que o formato não ofereceria condições equilibradas para que o presidente respondesse aos ataques dos demais candidatos.
Um dos principais pontos levantados pelo PT é a participação de candidatos como Renan Santos, do Missão, e Romeu Zema, do Novo. Segundo a campanha, esses nomes não estariam entre os que teriam presença obrigatória pelos critérios previstos na legislação eleitoral. Para os aliados de Lula, a ampliação do número de participantes modifica a dinâmica do debate e pode concentrar os ataques no presidente.
A avaliação da campanha é de que Lula, por ocupar a Presidência e aparecer entre os líderes das pesquisas, poderia se tornar o principal alvo do encontro, enquanto candidatos com menor intenção de voto teriam a oportunidade de ganhar visibilidade por meio do confronto direto com o petista.
Campanha não descarta mudança
Apesar da decisão, a ausência de Lula não é apresentada como definitiva para todos os debates da campanha. De acordo com a Folha de S.Paulo, a possibilidade de o presidente reconsiderar a participação no debate da Band dependeria de mudança na composição do encontro, especialmente da eventual retirada dos convites a Renan Santos e Romeu Zema. Por enquanto, porém, a tendência é de que Lula mantenha a decisão.
A Band confirmou que pretende realizar o debate no dia 23 de agosto mesmo sem a confirmação de Lula e de Flávio Bolsonaro, do PL, outro dos principais nomes da disputa presidencial.
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Lula deve manter entrevistas e sabatinas
A decisão de não participar do debate não significa afastamento da exposição pública durante a campanha. A estratégia prevista pela equipe é manter entrevistas, podcasts e sabatinas com veículos de comunicação.
O partido avalia, assim, controlar melhor os ambientes em que o presidente será questionado, evitando um formato em que vários adversários possam direcionar ataques simultaneamente contra sua candidatura.
A discussão ocorre em cenário de disputa acirrada. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, Lula apareceu com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 31%. Ronaldo Caiado e Renan Santos tiveram 4% cada, e Romeu Zema, 2%.
O levantamento BTG/Nexus, divulgado nesta segunda-feira, dia 17, por sua vez, mostrou Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno.
Nesse contexto, a ausência no debate da Band representa uma escolha da campanha de Lula diante da avaliação de que o formato pode favorecer os candidatos que precisam ampliar sua exposição e transformar o confronto com os líderes em oportunidade de crescimento na corrida presidencial.
A decisão, contudo, também abre espaço para que os demais candidatos disputem entre si a atenção do eleitorado durante o primeiro grande debate televisivo da eleição. Flávio Bolsonaro também sinalizou que poderá não comparecer, caso Lula mantenha sua ausência.
