A eleição geral de 1994 no Amazonas foi marcada por milhares de denúncias de fraude. O voto era registrado em cédulas de papel e depois contado, conferido e transportado até a totalização, e cada uma dessas etapas dependia da atuação de pessoas.
Em meio à disputa para deputados federais e estaduais, as denúncias levaram a Justiça Eleitoral a determinar a recontagem de votos em Manaus e Itacoatiara. O caso envolveu suspeitas de uso de títulos eleitorais furtados, adulteração de boletins de urna, votação em nome de eleitores mortos, títulos falsificados e preenchimento de votos brancos durante a apuração.
Denúncias e recontagem
As denúncias foram apresentadas pela seccional do Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM). Em relatório encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), o então procurador regional eleitoral Wallace de Oliveira Bastos relatou as suspeitas e pediu providências. Ele afirmava que as eleições haviam sido fraudadas e que o resultado estava comprometido.
O TRE-AM registrou empate de três votos a três na discussão sobre as providências, e o desempate determinou a recontagem. A Polícia Federal também investigou suspeitas relacionadas ao processo.
Na disputa para deputado federal, o Amazonas registrou 799.283 votos apurados: 553.560 válidos, 109.138 brancos e 136.585 nulos, o equivalente a 17,09% do total apurado.
Do papel à urna eletrônica
Para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os problemas das eleições de 1994 foram um divisor de águas e contribuíram para a decisão de informatizar o voto. O tribunal cita, entre as falhas do sistema de papel, a chamada “urna grávida”, em que cédulas previamente preenchidas eram colocadas na urna antes do início da votação, e o “mapismo”, que permitia alterar a distribuição dos votos durante a elaboração manual dos mapas de resultados.
Em 1995, técnicos, juristas e servidores da Justiça Eleitoral começaram a desenvolver o equipamento. O primeiro modelo, chamado de Coletor Eletrônico de Voto, propunha registrar o voto diretamente em meio eletrônico e retirar etapas manuais do processo.
Menos de dois anos depois das denúncias, Manaus foi uma das capitais escolhidas para a primeira experiência nacional de votação eletrônica, nas eleições municipais de 1996, com 629.074 eleitores no cadastro. Naquele ano, a votação eletrônica alcançou 57 municípios e cerca de um terço do eleitorado brasileiro. Em 1998, chegou a 537 municípios. Em 2000, passou a ser utilizada em todos os municípios do país.
Urna eletrônica com componentes de Manaus
O Polo Industrial de Manaus participa da produção das urnas eletrônicas e de seus componentes. A Positivo Tecnologia, por meio de sua operação na capital amazonense, fabrica placas-mãe e leitores biométricos utilizados nos equipamentos.
Em 2026, a Suframa aprovou um projeto da Procomp Amazônia para a fabricação de urnas eletrônicas na Zona Franca de Manaus. Parte dos equipamentos e componentes produzidos em Manaus segue para outras unidades, onde ocorre a montagem e os testes finais.
