A troca de farpas, acusações e ofensas entre o ex-superintendente da Suframa Coronel Menezes (PP) e o deputado estadual Delegado Péricles (PL), feita publicamente pelas redes sociais neste fim de semana, revelou de forma explícita as divisões internas do campo político de direita no Amazonas.
O embate, iniciado após a participação de Menezes em um evento político de apoio ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), rapidamente extrapolou divergências pontuais e passou a envolver questionamentos sobre legitimidade, liderança e alinhamento político.

Como pano de fundo está a pré-candidatura do irmão de Péricles, o vereador Coronel Rosses (PL), a deputado federal, posto também almejado por Menezes.
Nas publicações, Péricles criticou a atuação de Menezes no cenário político estadual, destacando o fato de ele não ocupar mandato eletivo e questionando a representatividade dele no campo conservador amazonense. O deputado também mencionou um suposto distanciamento entre Menezes e lideranças nacionais da direita, utilizando esse argumento para reforçar a ideia de isolamento político do coronel no Amazonas, que foi ponta de lança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem é compadre, no Estado.



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Ataque e contra-ataque
Menezes respondeu apontando incoerências na trajetória política de Péricles, especialmente em relação às eleições municipais de 2024. O coronel questionou o posicionamento do deputado naquele pleito e levantou dúvidas sobre sua participação em articulações locais da direita, deslocando o debate para o campo da fidelidade política e do compromisso com projetos eleitorais comuns.


A disputa evidencia um cenário em que lideranças que orbitam o mesmo campo ideológico, disputam espaço, visibilidade e reconhecimento, sem coordenação pública ou discurso unificado. A ausência de uma instância de mediação ou de uma liderança consensual contribui para que divergências internas sejam expostas de forma direta ao eleitorado, por meio de ataques mútuos em plataformas digitais.
O episódio ocorre em um momento de reorganização da direita no Amazonas, com diferentes grupos buscando se consolidar para as próximas disputas eleitorais. Em vez de articulação conjunta, o confronto entre Menezes e Péricles sinaliza fragmentação e competição interna, fatores que dificultam a construção de uma estratégia comum. A briga nas redes, mais do que um conflito pessoal, funciona como um indicativo da falta de unidade política da direita amazonense.