O vereador Allan Campelo (Podemos) fez um alerta nesta quarta-feira (11/3) sobre possíveis ameaças à Zona Franca de Manaus (ZFM) e criticou o apoio de parte da população a políticos que, segundo ele, já se posicionaram contra o modelo econômico que sustenta a economia do Amazonas.
Durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o parlamentar afirmou que a população precisa estar atenta às decisões políticas que podem impactar o futuro da Zona Franca, sob argumento de que o Polo Industrial é responsável por grande parte da geração de empregos e renda no estado.
Campelo citou disputas históricas envolvendo o modelo econômico e mencionou debates ocorridos durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e também na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando, segundo ele, medidas foram adotadas para recuperar incentivos e fortalecer o polo industrial.
O vereador também criticou pesquisas que indicam apoio significativo, em Manaus, ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
Segundo Campelo, o político já manifestou posicionamentos contrários à Zona Franca em diferentes momentos, o que, na avaliação do parlamentar, contrasta com os interesses econômicos da região.
Para ele, o interesse de Flávio é a favor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), embora não haja um registro explícito de um apoio formal do senador.
Durante o discurso, o vereador afirmou ainda que a ideologia política não deve se sobrepor à defesa do desenvolvimento econômico do Amazonas.
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Campelo reconheceu que o Amazonas pode buscar novas alternativas econômicas, mas defendeu que isso não significa substituir ou enfraquecer o modelo existente.
“Sim, precisamos de novos modelos, mas o modelo de sucesso nós já temos, porque a Zona Franca precisa de mais infraestrutura, de mais investimento e de mais apoio. Não precisa acabar com a Zona Franca para se criar um novo modelo”, defendeu.
ZFM X Fiesp
A disputa entre o modelo econômico da Zona Franca de Manaus e propostas defendidas por setores do Sudeste, especialmente ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ocorre há décadas no debate sobre política industrial no país.
De um lado, lideranças do Amazonas defendem a manutenção da Zona Franca, criada em 1967 para promover o desenvolvimento da Amazônia, gerar empregos e reduzir desigualdades regionais por meio de incentivos fiscais e da instalação do polo industrial em Manaus. O modelo é considerado o principal motor econômico do estado.
Por outro lado, representantes da indústria de outras regiões do país, principalmente de São Paulo, criticam historicamente os incentivos concedidos à Zona Franca. Membros ligados à federação argumentam que essas contribuições criam distorções competitivas no mercado e favorecem empresas instaladas na região amazônica em detrimento de indústrias de outros estados.
Desemprenho
Nesta quarta, a Câmara de Manaus recebeu o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, durante uma Tribuna Popular proposta pelo vereador Rosivaldo Cordovil.
Na ocasião, foram apresentados dados sobre faturamento, exportações e geração de empregos da Zona Franca de Manaus referentes ao último ano.
O encontro também debateu a competitividade do modelo econômico, que completou 59 anos no último dia 28 de fevereiro, além de temas como inovação tecnológica e segurança jurídica dos incentivos fiscais.