A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) revelou que recebeu uma ligação de Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos e atual presidente do SBT. O contato ocorreu depois que a parlamentar anunciou que processaria o apresentador Ratinho por falas transfóbicas proferidas durante seu programa ao vivo na emissora.
“Ela me ligou. Nós tivemos uma conversa por telefone de quase 10 minutos. Foi muito gentil, muito educada. Eu disse para ela, inclusive, o quanto minha família sempre gostou muito do SBT e do Silvio Santos. Eu cresci vendo o SBT na minha casa, ela ficou extremamente feliz e fez um pedido de desculpa em nome da emissora. Na nota, ela já havia informado que o SBT tomaria medidas”, declarou Erika ao portal Leo Dias.
A deputada acionou a Justiça após Ratinho fazer comentários de teor transfóbico quando ela foi eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. “Ela não é mulher, ela é trans”, disse o apresentador na atração. Na sequência, ele declarou que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero. “Teve uma votação hoje e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, questionou.
O SBT divulgou comunicado oficial repudiando as declarações e afirmando que o conteúdo não representa a opinião da emissora.
“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, diz a nota.
Nas redes sociais, Erika explicou os motivos da ação judicial. “Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque, o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres”, escreveu.
Na ação, a deputada pede uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti.


