O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta sexta-feira (13/3), que o assessor sênior do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, Darren Beattie, está proibido de entrar no Brasil. A declaração foi feita durante inauguração do Setor de Trauma do novo Hospital Federal do Andaraí (HFA), no Rio de Janeiro.
Segundo Lula, a permissão para a entrada de Beattie no país só será concedida quando os Estados Unidos revogarem a sanção ao visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de sua esposa e filha.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde que está bloqueado”, disse o presidente.
“Você sabe que bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos? Então, Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, completou Lula.
O Itamaraty já havia confirmado a revogação do visto de Darren Beattie, mas por outros motivos. Em nota enviada à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que o norte-americano omitiu informações ao solicitar entrada no Brasil.
“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, diz a nota.
Na quinta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reformou a decisão que havia autorizado a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A mudança ocorreu após o Itamaraty informar que Beattie não tem agenda diplomática no Brasil e que seu visto foi concedido apenas para um compromisso privado.
Em ofício enviado ao STF, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que a visita de Beattie a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, pontuou.

