Autismo: mulheres lideram cuidados e diagnóstico ocorre mais cedo, aponta pesquisa

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Um novo levantamento do Instituto Autismos revela que as mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. O dado faz parte do “Mapa do Autismo no Brasil”, que reuniu respostas de 23.632 pessoas em todo o país.

Foto: Agência Brasil/Reprodução

Segundo a pesquisa, 18.175 participantes são responsáveis por pessoas autistas, enquanto 2.221 acumulam a função de cuidadoras e também estão dentro do espectro. Outros 4.604 respondentes são autistas com mais de 18 anos.

A presidente do instituto, Ana Carolina Steinkopf, destacou que a maioria das cuidadoras são mulheres, muitas fora do mercado de trabalho devido à dedicação integral aos filhos. A realidade é refletida na história da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, que reorganizou sua vida profissional para cuidar do filho João, diagnosticado com autismo aos 8 anos.

Apesar de casos como o dela, o estudo aponta um avanço importante: a idade média do diagnóstico no Brasil caiu para cerca de 4 anos, alinhando-se a padrões internacionais. Especialistas afirmam que a identificação precoce é essencial para garantir melhores resultados nos tratamentos e no desenvolvimento das crianças.

O levantamento também chama atenção para o custo das terapias, que ultrapassa R$ 1 mil mensais para muitas famílias. Grande parte recorre a planos de saúde, enquanto nas regiões Norte e Nordeste o uso do sistema público é mais frequente.

Em nota, o Ministério da Saúde informou investimento de R$ 83 milhões na ampliação do atendimento a pessoas com TEA, incluindo novos Centros Especializados em Reabilitação e serviços de apoio.

De acordo com o IBGE, o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas. Especialistas reforçam que ampliar a conscientização e garantir diagnóstico precoce são passos fundamentais para assegurar direitos, inclusão e qualidade de vida às famílias.